Ovelhas Incandescentes

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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

...e seguiu andando! Final.


- Quem é Marcia? Amiga da escola?
- "É, e ela acompanhou de perto, e riu de perto, também, quando o Nelson falou que eu era a menina que gostava do outro lá. AIMEUDEUS! Eu, nunca soube o nome dele, mas ele era muito parecido com o nosso amigo, Willian. E toda vez que esse menino passava, era inevitável falar que ele era a cara do Willian. E como a gente era muito (in)discreta, ele percebeu que a gente falava dele (só não sabia o que era)".
- Rá, o que aconteceu? Ele achou que você gostava dele?
- "Uma vez, falando para o Nelson que esse menino era a cara do Willian, o Nelson falou, que esse menino falou, que tinha uma menina da nossa sala que gostava dele (dele que eu digo, é esse menino), mas que ninguém sabia quem era porque meu amigo já tinha mostrado todas as meninas da sala e não era nenhuma delas. Mais tarde me vem o Nelson falar que descobriu quem era a menina, se liga".

Nelson: - Descobri quem é a menina.
Eu: - Quem?
Nelson: Você!
Eu: - O QUÊ?
Marcia: - QUEM?
Nelson: - É, você. Eu mostrei todas as meninas, menos você porque já sabia que não era. Perguntei para ele se era uma de cabelão preto, calça vermelha, ele falou que era. A única assim é você.

- "MEUDEUS... a calça bailarina vermelha. Obrigatória para andar de patins com as meninas. Cada uma na sua cor, a minha era vermelha. Que saudade!"
- Vai, gata, continua, o que aconteceu?
- "Merda-a... o negócio deu merda-a... ".

Eu: - Pirou?
Marcia: - Ixi, bateu a cabeça, foi? Ela gosta de outro menino, nem daqui ele é, é lá de cima.

- Como assim, lá de cima?
- "A escola parecia uma casa enorme, tipo um sobrado, ele estudava no andar de cima. Na sala onde a gente fez a sétima série".

Eu: - Ah, tá. Agora eu entendi porque a menina lá, me olha feio.
Marcia: - Ih, nada a ver, meu.
Nelson: - E aí, vão me explicar ou preferem que eu adivinhe?

- "Haha, o Nelson sempre foi meio tosquinho, tipo eu".
- Prossiga, gata!

Eu: - Toda vez que ele passa pela gente, a gente fala: "Olha o Willian". Ele deve ter percebido que a gente falava dele.
Marcia: - É, percebeu. Só não percebeu o que era.
Nelson: - Ah, e ele deve ter falado alguma coisa para a menina que ele fica, só pode.
Marcia: - Mal sabe ela. E se ela falou alguma coisa para o outro, ainda queimou o seu filme.
Eu: - PUTAMERDA!
Nelson: - Por quê? O que "mal sabe ela"?
Eu: - Mal sabe ela que eu, realmente, estava interessada... era no IRMÃO DELA!
Nelson e Marcia: - HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!! Perdeu a chance de ficar com ele e ainda deve estar te chamando de galinha! Hahahahahahaha!

- MEUDEUS! Hahahahahaha!
- "Ri, filha, ri. Ri mesmo, que não foi com você. Eu até sonhava com esse menino. Eu e a Marcia chamávamos ele de Tom Hanks, porque ele lembrava o Tom Hanks. Hahahaha... só a gente. Marcia, querida, por onde andará você?"
- Essa escola deve ter sido boa, hein?
- "Todas foram. Acho que todas são! Claro que teve aqueles momentos que você acha que vai morrer, mas depois, você vê que foram os melhores momentos da sua vida. A escola daqui do lado, a de lá de baixo, as outras de lá do outro lado e aquela lá longe. Todas tiveram as coisas ruins que, depois que passaram, ficaram muito engraçadas".
- Beijo, abraço e aperto de mão, teve?
- "Claro, foi na quarta série. Mas nada de anormal sobre isso".
- 'Tá bom, de escola já chega. Vamos.
- "Para onde, agora?"
- Para o fim.
- "Mas vai pular um pedação".
- Se a gente passar por todas essas suas... "ruas", viramos andarilhas.
- "Obrigada pela parte que me chama de rodada toca!"
- Eu não chamaria assim, chamaria de... vivência. Você viveu. Todas as coisas pelas quais você passou, todas as pessoas com quem você se relacionou, todas as vezes que você sofreu, riu ou chorou, fazem parte da sua vida. Tire um minuto, apenas, de alguma coisa que possa parecer insignificante, e você já não será mais a mesma pessoa. Nada foi por acaso, nada foi em vão, nada, nada, nada. Até mesmo aquilo, do qual você se arrepende tanto, todas as vezes e tudo do qual você se arrependeu, faz parte de você e se não tivessem acontecido, você não seria quem você é hoje.
- "Acho que vou pensar mais sobre isso, sobre um ponto de vista positivo a meu respeito. Mas não vai querer que eu fale das meninas?"
- Quantas foram e quantas vezes?
- "Duas meninas e três vezes. Duas vezes com uma e uma vez com a outra".
- Não, deixa pra lá. Você tem boas lembranças?
- "Não são ruins, mas se eu não lembrar, não fará falta, entende? Não é uma coisa que eu faço questão de lembrar porque não é que eu não tenha gostado, mas percebi que, realmente, não é para mim".
- Então pode ficar só para você. Vamos terminar o caminho.
- "Nem os que eu dou graças diárias por nunca ter acontecido nada?"
- Principalmente esses, melhor guardar para você. Tranque e jogue a chave fora. Incinere, exploda, imploda, desintegre.
- "Tudo bem, vamos. Metrô, ônibus, passo meio mal no ônibus, mas acostumei. Para esse não me arrependo de ter dado, claro que não. Não me arrependo de nada e faria de novo porque... é o que eu deveria ter feito, mesmo! Mas não posso dizer que era legal porque não era. Claro que a gente se divertiu bastante, brigou bastante, também, mas apesar de tudo que deu certo e de tudo que deu errado, desde o preimeiro beijo, eu sabia que não era para a gente. A gente nunca teve química, nunca teve aquele tesão, mesmo. E eu sempre soube, desde o primeiro encontro. Mas e daí? Quando você gosta da pessoa, você tenta de tudo até o último repertório. Você tem a esperança de que um dia dê certo, mesmo sabendo que nunca dará certo. E isso não é errado, é fazer o que tem que ser feito, na hora que tem que ser feito. Enquanto eu gostava dele, tentei de tudo, mas chegou uma hora que o amor não acompanhava mais a vontade de fazer dar certo... ou talvez fosse o contrário? Mas o fato é que o repertório acabou, o amor também. E ficou aquele maldito post it mental: Sabia que não daria certo. Sim, eu sabia que não daria certo, mas que não daria certo para sempre, que não daria certo no final. Eu sabia que daria certo enquanto eu tentasse fazer dar certo, mas sempre soube que teria um fim, que teria um momento em que... acabou. E apesar de tudo que deu errado e de toda a falta de química, de encaixe, de... toda a falta de tudo que faltava, eu fiz o que deveria ter feito. E fiz muito bem".
- Aí, garota!
- "Foi triste quando terminou, mas o que não é triste quando termina? Triste, mas foi muito melhor assim. Foi um alívio, uma sensação de dever cumprido".
- Isso mesmo, foi dever cumprido. Foi um caminho percorrido. Até o fim.
- "Nunca parei para ver sob a ótica de... itinerário?"
- Não, não é um itinerário...
- "Peregrinação?"
- Não, nada disso...
- "Karma?"
- NÃO!
- "VIA CRUCIS!"
- Chega, cala a boca e escuta. A sua "via crucis" foi o que fez você ser o que você é hoje. Mesmo que você tenha sofrido, além de tudo que te fez feliz, foi o que te ensinou a resolver as coisas. O que você faria se estivesse em um relacionamento que estava na cara que era só mais um lucro? Não, melhor. O que você faria se estivesse apaixonada por um cara que só queria te comer? Choraria? Faria uma macumba?
- "Claro que não... eu pegava logo e aproveitava o que ele tinha para me oferecer (já que estava assim tão fácil), ou eu saía fora de vez e nem lembrava mais da existência do sujeito. Depende, se dá para ser uma amizade colorida legal ou se é só mais uma nas estatísticas dele".
- Isso mesmo! Você faria uma coisa ou outra, mas não ficaria na dúvida e nem se mataria por ela. Poderia até ficar em dúvida no começo, isso é bom, mas só o suficiente para resolver qual dos dois rumos você tomaria. Ou seja, numa encruzilhada, você não morre no meio do caminho, você pega uma estrada. Pode ser que seja a estrada errada, mas você vai seguir até chegar na certa. E esse é o caminho certo: não ficar parado.
E é assim que tem quer ser. Vai lá e faz, não importa se você acertou ou errou, é assim que tem que ser. O que você erra, te faz acertar, para não dizer: "É errando que se aprende". Porque às vezes, gata, nem assim. Mas uma coisa é certa, você pode até insistir no erro, mas aprendeu. Errar de novo, não é que você seja burra (às vezes é), mas tem erros que a gente quer cometer de novo. E de alguma forma, para alguma coisa, eles serviram.
Então ande mesmo, porque de uma forma ou de outra, um quarteirão ou dois, sempre serão mais do que...
- "Sempre serão mais do que alguns caras que eu peguei".
- Também, mas ande mesmo, porque alguns quarteirões sempre serão mais do que "só" lembranças do passado.

3 comentários:

  1. Muuuito SHOW! Eu prometo pra mim mesmo que, um dia, eu ainda vou escrever que neem você, nem que eu tenha que me matar pra fazer Letras (ou qualquer coisa do tipo) na USP!
    Parabéns, Rê! Melhor Post! =D'

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  2. Nossa amei!
    Suas palavras me tocaram profundamente!
    Primeiro lembrandodos tempos de escola, casos e confusões. Sempre tinha aquele menino que a gente "gostava", não precisava explicar mais nada, tudo tão simples.
    Eu e minhas amigas somos tão nostálgicas qu combinamos sempre irmos votar juntas na época da eleição. Assim passamos por todas as escolas do bairro, encontramos antigos professores e até ex-amigos (como isso acontece?).
    Depois falando de cometer erros, eu sou muito assim, as vezes eu QUERO cometer o mesmo erro, não por burrice.
    Pensando na vida, lembrei dessa frase:

    Duas estradas se bifurcaram no meio da minha vida, ouvi um sábio dizer. Peguei a estrada menos usada. E isso fez toda a diferença cada noite e cada dia.(Larry Norman)

    Amo você, Regiane :)

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