Ovelhas Incandescentes

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Recordar é viver... e doer!

Esses dias o Bob Pai pediu para eu pegar umas músicas para ele. 
Entre elas, Epic, do Faith No More.

Lembrei de quando a Rubia foi no show do Faith No More, lembrei de várias coisas e lembrei do Catatau.
O Catatau era, como diria o meu pai, um molecão, de uns 17 anos (acho que ele tinha essa idade quando a gente conheceu ele), meio rockeiro grunge, estilo Eddie Vedder, encantava a mulherada.
Começou a namorar com a Rubia, depois acabou, depois voltou e depois acabou, mas virou da família. Até a Vovó gostava dele :)

Ainda é meio estranho falar que ele já morreu. Talvez ele estivesse na hora errada, com a pessoa errada e fazendo a coisa errada. 
Nem entro no detalhe de como foi porque não vai mudar e eu também não sei de nada, só comentários.

Só sei que a T. Vita falou de um recado que a prima dele, Guida, tinha deixado na secretária... não... foi a Vera que deixou um recado na secretária e depois a T. Vita falou com a Guida, sobre o funeral ter sido rápido porque a mãe dele não estava passando bem, então nem deu tempo da gente ir para lá.

Não sei se eu queria ter ido, eu entendo a morte muito bem, mas não é nada agradável ficar com aquela imagem da pessoa que você gosta no caixão.
Mas o Catatau era uma dessas pessoas, que eu tinha que ver no caixão para acreditar que ele morreu.
Era tipo o irmão mais velho que eu queria ter. E eu não sei o porquê, mas eu sempre quis ter um irmão mais velho (sem ofensas, Raquel, você dá conta do recado, e muito).

O Catatau gostava de Faith No More, era uma das bandas que ele gostava e uma das coisas que não tem como não lembrar dele. 
Até meu pai lembra dele por causa da música. Porque ele gostava e também porque... era uma coisa meio característica. 
O cabelo comprido (uma coisa que a maioria das meninas gostava nos anos 80/ 90, acho que eu gostei um pouco, mas dependia da pessoa, tinha caras que não combinavam com o cabelo comprido), o estilo meio grunge, camisa xadrez (coisa que eu adoro até hoje).

Faith No More não me apeteceu, mas foi uma das coisas que o Catatau deixou e uma das coisas que faz a gente lembrar dele, em qualquer hora, lugar, tempo e espaço que seja.

Ele deixou de lembrança o Faith No More, no melhor estilo Mike Patton, Guns 'N Roses (também nunca gostei, nunca paguei pau para o Axl e sempre achei o Slash muito, muito, mas muito mais bonito do que o Axl, aliás, acho até hoje, o Slash é lindo!), Pearl Jam (ah, Pearl Jam é Pearl Jam :), o Charge que ele me deu porque precisava de uma ficha telefônica e eu tinha uma ficha (não existiam cartões telefônicos e celular era coisa de gente rica), camisa xadrez (só tenho a verde e preta agora, mas dessa não me desfaço nunca), gatos (ele tinha uma gata chamada Lili e descobriu que ela tinha tido um filhote, que ele deu para a Rubia, foi o primeiro gato que tivemos em casa). 

E todas as vezes que ouvimos o começo de Epic, é inevitável não balançar o corpo e rodar as mãos, como Mike Patton fazia no clipe, deixando o cabelo balançar.

E todas as vezes que ouvimos aquele piano no final de Epic, aquele último "Yeah, yeah, yeah" junto com o piano, chega a ser fúnebre. 
Dá até vontade de chorar.

Lembrança é uma coisa engraçada. 
- Ah, lembrei! 
- Que merda. 
Elas vêm sem você querer que elas venham. Trazem toda a emoção da coisa de volta, e emoções são coisas difíceis. 
Para mim é. Eu sinto toda a alegria de novo, mas também sinto toda a raiva de novo, toda a mágoa de novo, toda a dor de novo, toda a irritação de novo e tudo de novo.
Mas isso é coisa para outro texto, talvez, uma terapia.
Aproveitem a vida!

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