Ovelhas Incandescentes

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sábado, 3 de maio de 2014

Arquivo deletado!

Era uma sensação estranha.
Uma dor de estômago misturada com dor de barriga, falta de ar e ânsia de vômito.
Tem gente que chora até soluçar.
Ela chorou até vomitar.
No chuveiro mesmo.
Porque nada melhor para disfarçar o choro do que chorar no chuveiro.

Algumas coisas estavam um pouco confusas.
Ou era, ou não era.
E tinha que ter certeza.
Manter alguma esperança ou desencanar de vez.

Sentiu-se como uma estranha na rua perguntando onde fica o metrô.
Poderia até ouvir um "minha filha" no final de "Pensei que você já tinha desencanado faz tempo".
Poderia até ouvir um "gata" no final de "Mas aí a gente nem 'tava mais namorando".
E estavam... mas isso não tinha a menor importância.

Se há bem pouco tempo atrás tinha ouvido um empolgado "Namorada, você imagina que a gente vai fazer seis anos?", agora, ele nem sabia mais se já tinham terminado ou não.

Parecia uma pessoa que nunca conheceu.
Que não sabia nada de sua vida nem ela da vida dele.
Chegou a pensar se teria ligado para a pessoa certa.
Mas, sim, era ele.
Mas parecia outra pessoa.

Alguém que conheceu e conviveu por seis anos e agora não sabia mais quem era.
Alguém que deletou os últimos seis anos de sua vida de uma semana para outra... ou de um mês (ou mais) para outro.
E seguiu como se nada tivesse acontecido.
Repetindo a mesma fórmula de antes. A mesma que tinha usado seis anos antes. O mesmo sorriso, o mesmo abraço, a mesma cantadinha medíocre. Até a mesma foto.
Deu certo uma vez, sabe-se lá quantas vezes, daria certo de novo.
Sabe-se lá com quantas meninas ainda usaria a mesma fórmula.

Foi difícil.
Desmontou.
Os amigos seguraram.
Os gatos vieram todos de uma vez.
Gwidion deu conselhos. Spock deu beijinhos. Polyana deu abraços.

Acordou botando os bofes para fora, literalmente e no duplo sentido.
Aquela sensação estranha de novo.
Uma dor de estômago misturada com dor de barriga, falta de ar e ânsia de vômito.

Já chega!
Lembrou do que uma amiga falou: "Foi melhor assim".
Lembrou das coisas ruins também.
Lembrou da fórmula que usou com ela, sabe-se lá com mais quantas, e agora usava de novo com outra.
Lembrou da forma como foi descartada e reposta.

É... foi muito melhor assim!
Muito melhor para ela do que para ele.

Agradeceu pelas coisas boas... foram tantas!
Agradeceu pelas coisas ruins também... não teria mais que conviver com elas.

E lembrou que quando uma coisa se vai, sempre vem outra muito melhor.
Lembrou que tem coisas que podem parecer desesperadoras no começo, mas há males que vêm para bem.
Lembrou que cortou o cabelo curtinho para ajudar a esquecê-lo.
Lembrou que, se antes teve que respirar fundo antes de falar "Pode cortar", agora estava muito animada com seu novo corte de cabelo.

E como disse um amigo:

"Puxões de cabelo melhores virão".

Incandesçam!


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