Ovelhas Incandescentes

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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

De carne... só a minha!


Quando eu era pequena, comia carne crua e gordura de carne. Parei de comer carne crua e gordura de carne, embora eu ainda gostasse de gordura. Me permitia comer um pedacinho quando a carne era picanha, mas evitava o máximo porque eu sabia que fazia mal a longo prazo e sabe... o tempo passa para todo mundo.

Uma vez eu disse que nunca ia parar de comer carne, principalmente linguiça. Um tempo depois eu acabei ficando com nojo de linguiça, e a carne, que eu sempre comi numa boa, passou a ser não muito bem-vinda no meu estômago.
Teimosa como eu sou, continuei comendo... e continuei passando mal.
No restaurante onde eu almoço, não resistia à palavra 'picanha' no cardápio. E pelo resto do dia, o meu estômago também não resistia em me mostrar todo o seu desagrado.
Nunca gostei de peixe nem de frango. Um dia descobri um tipo de peixe que eu comia e troquei a carne vermelha por esse peixe. Enjoei, voltei para a carne vermelha, desenjoei, voltei para o peixe.

Era sobre isso que eu estava pensando. Sobre me alimentar direito, comer mais legumes, mais salada, mais frutas, não ter mais 15 anos, o ponteiro da balança subindo de posição, o processo filho da puta pelo qual os animais passam para chegarem ao nosso prato, as minhas muitas tentativas de parar de vez com a carne, a minha luta pela proteção animal, defendendo uns e comendo outros, a filha da putagem que é a seleção de pintinhos que virarão galinhas que virarão comida e muitas outras filhasdaputagem relacionadas ao processo... quando me deparei com mais um documentário sobre animais e o que fazemos com eles: TERRÁQUEOS.

Seria muito mais fácil se falar bastasse para que as pessoas acreditassem no que o ser humano é capaz de fazer com os seres 'inferiores' a ele. Mas, infelizmente, não é. E apesar do documentário ter cenas da pesada, é muito importante que as pessoas assistam, porque tem gente que só acredita vendo. E o pior, tem gente que não acredita no que a raça humana é capaz de fazer para se dar bem.
Chegou o momento em que não dava mais para eu diminuir o que já era tão diminuído e eu tinha que tomar uma decisão definitiva. E, apesar de não parecer, não é uma decisão fácil, principalmente para uma viciada em lanches e McDonalds como eu. Chegou o momento de parar com a carnificina de uma vez por todas.

Não parei de comer carne somente pelo respeito à vida, porque se pensar um pouco mais, tudo é vida. Até as pedras são vidas. Do reino mineral, mas são vidas também.
Se eu respeito a vida, comer vegetais e plantas também é problema, porque eles também respiram e se movem (mas não podemos ver), portanto, são vidas também, que se movimentam conforme sua espécie.
Não decidi tirar a carne da minha alimentação porque sou supersaudável e engajada em seja lá o que for que engajada signifique. E para falar a verdade, a minha alimentação não é das melhores. Só agora, aos 15 do segundo tempo, é que resolvi pensar melhor na minha alimentação. Quem me conhece sabe que eu não sou a maior fã de frutas, legumes e afins. Só como mesmo porque precisa (adeus, 15 do primeiro tempo, você não volta mais e eu tenho que tomar vergonha na cara e cuidar melhor do segundo tempo).
No que dependesse de mim, a alimentação ideal seria à base de lanches, pizza, pastel, sorvete, doces, pipoca com manteiga, pipoca doce (aquela vermelhinha de groselha), sorvete e chocolate até dizer chega. E claro, dá-lhe leite condensado! Coisa que toda criança normal gosta ou deveria gostar.
O problema é que a minha idade física não é a mesma da minha idade mental (rs) e, apesar de me permitir bancar a criançona de vez em quando, tenho que fazer direito na maior parte do tempo. E fazer direito inclui comer direito. E comer direito inclui comer todas as coisas saudáveis que não me apetecem, mas que temos que comer.

Voltando ao ponto de partida, eu parei definitivamente de comer carne, principalmente, porque eu não quero mais que nenhum animal tenha que morrer para me servir de comida, já que eu tenho tantas outras coisas para comer.
Eu entendo que algumas pessoas tenham que comer carne (e eu já fui uma delas), mas espero que elas tenham a consciência de que nem todos os animais que morrem para virar comida têm uma morte rápida e, teoricamente, decente. Espero que elas saibam que a maioria deles sofre horrores gigantescos antes de, finalmente, morrer e virar comida. Espero que elas, ao menos, tenham gratidão pelo ser vivo que morreu para que elas pudessem comer.

A pouca carne que eu comia já não era bem aceita pelo meu estômago, mas eu parei de comer carne, principalmente, porque eu não quero mais que nenhum animal tenha que sofrer por mim ou para mim. Tenho milhões de outras coisas para comer. Não quero que ninguém morra por mim ou para mim, principalmente, os seres que eu tanto defendo.
Eles também têm o direito de viver e eu tenho o dever e a obrigação de respeitar.

Obs. E da mesma forma que eu não fico enchendo o saco de ninguém para parar de comer carne, eu também espero que ninguém encha o meu para continuar comendo ou porque eu parei de comer.