Ovelhas Incandescentes

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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Anyway the wind blows...

Acordar cedo não é legal.
No sábado... dá na mesma, não é legal em qualquer dia.
Só a parte de acordar. Uma vez acordado, depois que o sono já passou, tudo bem, é até melhor levantar cedo. Você faz um monte de coisas (se tiver um monte de coisas para fazer) e ainda sobra muito dia para você fazer o que quiser (ou o que tiver).

No meio do caminho entre o dia e o fim do dia, talvez, você ouça algumas merdas, dê risada, corra com o trabalho e se irrite com alguém.
A chance de você fazer tudo isso junto é de 99%. O 1% restante é a soma de todas as vezes que você foi no banheiro ou parou para comer.

Você resolve entrar em uma loja, experimentar umas calças. Os manequins da loja já te olham feio (sim, eu disse os manequins), mas você finge que não é com você, pega suas calças e se manda para o provador.
Sai do provador e lá estão eles, aqueles manequins cínicos, que te olham com aquele olhar igualmente cínico, cegos, mas ainda cínicos.
Passando por eles, você pode ouvir o que dizem... ah, mas eles dizem... eles olham para você... ah, mas eles olham... cegos, mas olham.
Olham para você e dizem: "Minha filha, olha o tamanho dos nossos quadris. Você acha que uma calça nossa vai servir em você?"
Você passa por eles, olha pelo canto dos olhos e solta um: "Pode ser, mas nunca faltou quem quisesse me pegar".

Entra no ônibus e pega o melhor lugar, dá até para escolher. Alguma coisa boa tem que ter.
Eu prefiro sentar sozinha. Sim, sou egoísta, individualista e muitos outros -istas por aí.
No próximo ponto, o ônibus já está lotado. Foda-se, você já está sentada mesmo. As cenas vão passando na sua frente. Na Paulista você vê de tudo. Músicos mostrando sua música (tem um menino que estudou comigo, um saxofonista que já gravou alguns cds, uma violinista... =]), vendedores de artesanato, ativistas de alguma coisa, gente bonita, gente feia, gente estranha, gente com pressa, gente sem pressa, patinadores e skatistas (meus favoritos), gente passeando com os cachorros (também meus favoritos... os cachorros, claro), gente correndo atrás de gente para responder pesquisas, gente que sabe muito, gente que não sabe de nada (opa... =]), gente de mais, gente de menos, gente boa, gente tonta, gente ganhando dinheiro, gente pedindo dinheiro. Tem tanta gente!

Tem também um cara de cabelo rasta que está sempre falando com as pessoas que ele não conhece, normalmente, tentando fazer as pessoas sorrirem. Tem também um que vende pulseiras, brincos e afins e, na maioria das vezes, o cachorrinho dele está lá com ele. Esses são os meus constantes favoritos (além dos cachorros). Eles não sabem que eu existo, mas eu sei que eles existem. Eles me fazem sorrir... mesmo que eu não os conheça. Algumas pessoas salvam o seu dia e nem sabem disso. Como o gatinho que eu vejo todos os dias de manhã, no mesmo cantinho do jardim do prédio, tentando pegar uns passarinhos. Ele já me faz sair de casa sorrindo (se você ver um gatinho, primeiro, terá sorte o dia inteiro).

Achou o gatinho?

Mas como tudo na vida tem dois lados, além dos favoritos, você também tem os não favoritos. E esses eu prefiro não falar, mas cada um sabe das suas brigas diárias, das suas derrotas, das suas angústias, das suas mortes internas ou externas, das vezes que você chorou porque não tinha mais onde guardar dentro de você, tanta raiva ou tanta frustração, tanta dor ou tanta alegria. Cada um sabe dos seus demônios... até mesmo dos seus manequins do mal.

Mas no meio de tudo, sempre terão coisas boas, sempre terão os amigos que te farão rir, os desconhecidos favoritos que te farão sorrir, e alguém para te falar: "Minha voz não pode quebrar janelas, mas a sua pode".
E isso coloca toda a sua vida no lugar certo.


Obs. E no momento exato que terminei de escrever, entra uma pessoa e me fala: "você 'tá ouvindo e nem me grita, você é escrota". Eu deveria não gostar disso, ela não sabe o que eu estava fazendo e nem sabe porque eu não me interrompi para falar com ela.
Mas é aí que começa tudo de novo, o que te derruba e o que te levanta. E mesmo que você ouça um desaforo... tenha certeza de que logo virá uma palavrinha mágica para te fazer sorrir.
E como disse o Queen em Bohemian Rhapsody: "Anyway the wind blows".


Gwidion... não importa o que aconteça, ele e a irmã dele sempre salvam os meus dias.