Ovelhas Incandescentes

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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Mulheres que criam monstros. No bom sentido, mas nem tanto.

Nunca quis casar. Até pensava em cerimônia, música, vestido, mas uma coisa sempre cortava o meu barato: morar junto.
Sempre tive extrema necessidade de ficar um tempo sozinha.
Ficar sozinha não quer dizer que você vá sair por aí galinhando. Ficar sozinha é ficar literalmente sozinha.
Como quando todos saem de casa na mesma hora e só ficou você.
Sempre fui bastante criticada por isso, mas a hipocrisia é tão comum nesse assunto. Há muitas mulheres que adorariam morar separadas de seus maridos, mas no fundo bate o preconceito e a infeliz ideia de que isso não é um casamento, e sim um namoro. Vá te catar!
Um dos grandes motivos de não querer morar junto é a minha necessidade de ficar sozinha. Outro grande motivo é a minha recusa em virar mãe e babá de marido.


Tem mulheres que reclamam porque fazem tudo sozinhas e é bem verdade que os homens de suas vidas não ajudam em nada, só sabem pedir. Mas é também verdade que elas deixaram isso acontecer.
Começa com um favor, termina com uma obrigação.
O marido vai lavar a louça e a mulher reclama que ele não faz direito. E para melhorar fala: - "Você não sabe, deixa que eu faço".
Depois dessa, vai esperar o quê? Ouvir um xingo? Brigar pela louça? Exigir o seu direito de cozinhar?
Até eu que sou mulher prefiro ficar quieta, afinal, eu detesto afazeres domésticos e sou a pessoa que paga para alguém fazê-los por mim.
Mas se desde sempre, você, mulher, assumiu o papel de doméstica da casa, achou que deveria fazer tudo sozinha porque você é a mulher, a mãe, a esposa e nunca pediu ou exigiu ajuda para nada e ainda reclama quando fazem alguma coisa que não fica exatamente como você quer... você quer o quê?
A culpa é sua de ter que fazer tudo sozinha. Se o seu marido ou seu filho não te ajuda é porque você acostumou assim.
Querer agradar, cuidar, compartilhar é até a página um. Na página dois, se você continuar assim e não passar a vez para eles também agradarem, cuidarem e compartilharem, eles irão se aproveitar da situação. Na página três, eles já se acostumaram a não ter que fazer nada porque tem alguém que sempre fez tudo para eles, e na página quatro, eles sabem que se tem alguém que sempre fez, esse alguém sempre fará tudo para eles até as últimas páginas.


Eu conheço um casal, aliás, uma mulher, aliás, uma única mulher que falou que o marido dela limpa a pia melhor do que ela.  Aliás, que ele limpa a casa melhor do que ela. E eles dividem as tarefas numa boa. E se ela prefere cozinhar ao invés de pedir a ele, é só porque o arroz dele não é tão bom quanto o dela.
Eu acredito que se existe uma mulher assim, pode existir outras, embora eu não conheça muitas, mas tenho uma amiga que não lava louça nenhuma na casa dela, outra que não cozinha nada, outra que não passa roupa e por aí vai. Muitas fazem quase tudo mas deixam de fazer alguma coisa, antes assim do que fazer tudo sozinha. Mas o importante é que eles dividem as tarefas. Já que estão juntos, também cuidam juntos da casa.


Para mim, o melhor é ter alguém para fazer por você, tudo o que você não gosta, mesmo que se use a desculpa do "é porque não tenho tempo". O que é uma desculpa infeliz porque ninguém em sã consciência vai passar, lavar e limpar por lazer, por mais tempo que tenha. Cozinhar até entendo, tem quem goste sim, mas e na hora de limpar a bagunça gerada pela arte culinária, vai falar que não prefere ir até ali e quando voltar já estar tudo limpo? Se o orçamento ajudar, o melhor, mesmo, é pagar alguém para cuidar dos afazeres domésticos.
Se o orçamento não colabora com essa parte, é bom a mulherada reclamar por direitos iguais e exigir a divisão dos bens, ou melhor, das tarefas da casa. Não tem essa de que a mulher tem que ser a secretária doméstica do casal.
Apesar de ainda existir homens e mulheres que acham que todo o trabalho doméstico cabe à mulher e todas as contas a serem pagas, cabe ao homem, não existe lei, mandamento ou regra que fale que o papel da mulher/esposa é ser mãe ou babá do homem/marido. Nem nada que determine que o papel do homem/marido é ser pai ou chefe da mulher/esposa. Vá te catar!²
A menos que gostem de ser mãe ou babás de seus maridos, namorados e afins, reclamem por seus direitos de serem uma metade do casal, e não a arrumadeira geral da casa. Ou aguentem, sem reclamar, os monstrinhos que vocês criaram.


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Das coisas que passam pela minha cabeça agora...


Não sei de ninguém, só sei de mim.
Sei que não sei cozinhar e também não gosto.
Sei lavar a louça, limpar a casa e até passar roupa, mas não gosto. Se puder evitar, evito mesmo.
Pago para fazerem isso para mim. E que seja bem feito porque se for para fazer de má vontade, eu mesma faço, isso sei fazer.

Gosto de comer. Gosto de comer as coisas que eu gosto.
Comer por comer, para se alimentar, isso eu faço quando fico doente e sem fome. Nesse caso eu como qualquer coisa, só o suficiente, mesmo, só para não passar mal por estar sem comer. Isso é uma coisa que me assusta porque já passei por isso. Então, se eu ficar doente, tenha certeza que comerei alguma coisa a cada três horas, certinho, para não correr o risco de só lembrar que estou sem comer quando bater o joelho no chão, no percurso que precede o desmaio.
Em ocasiões normais, gosto de comer, mesmo. Comer as coisas que eu gosto, claro. As quais chamo carinhosamente de "happy food". E gosto de não ter que fazer, também. A comida fica muito melhor quando não sou eu que tenho que fazer. Até porque, eu cozinho mal, como disse. Claro, essa é minha opinião, afinal quem está falando sou eu e não sei de ninguém, só de mim.

Gosto de trabalhar perto da janela. Gosto da luz entrando, da conversa dos pássaros, a movimentação do ar (que muitos chamam de vento, mas é diferente).
Da janela do meu quarto na casa dos meus pais, posso ver um pedaço da minha casa. Acho linda! Talvez, por ser a minha casa. Talvez, por ser linda, mesmo.

Detesto enrolação para dizer qualquer coisa. Algumas situações exigem detalhamento, mas outras, não.
Se eu faço uma pergunta fechada, responda-me sim ou não.
Tem gente que acha que enrolar para falar uma coisa é ser delicado, que é melhor assim e que a resposta direta pode magoar a pessoa.
Infelizmente não tem rosa e nem flores que não magoe uma pessoa, se a resposta que você tiver que dar não for a que ela quer ouvir.
Eu prefiro respostas diretas e objetivas. Sendo ou não o que eu quero ouvir.
Se for o que eu quero ouvir, peço o detalhamento depois do resumo. Aí sim, pode enrolar e detalhar à vontade.
Se não for, fale de uma vez. Fale tudo, não omita nada. Se vou ficar triste ou não, problema meu.
Mas nem que seja para me falar não, me dar um fora, falar que me detesta ou seja lá o que for, prefiro que me falem de uma vez. Um tiro limpo, rápido e certeiro.
Isso fará com que a minha opinião sobre a pessoa, tenha mais chances de ser uma boa opinião.
Ser direto exige coragem e caráter. Não que tenha que ser dito de qualquer forma, mas tem que ser dito.
O que os olhos não veem, o coração não sente. Mas o que os olhos descobrem, o coração sente dobrado.
Antes ficar triste por uma verdade do que ser desrespeitado pela falta de caráter e coragem.
Não querendo ser egoísta, mas já sendo, penso em mim em primeiro lugar. E é assim que tem que ser! O amor próprio deve vir primeiro, para qualquer pessoa.
Fechem as janelas que devem ser fechadas, abram as portas que devem ser abertas.
Feche-se para o passado, abra-se para o presente e futuro!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Na minha época, nada! Minha época é agora!

Sempre tem um para falar que "na minha época blablabla".
Resolvi pensar na minha época.
Não sei se o McDonalds era mais barato. Não lembro. Meus pais pagavam para mim e nem adianta perguntar para eles porque eles vão falar que "sei lá".
Eu lembro que os discos de vinil não eram essa fortuna que é hoje. Não beiravam as casas centesimais, não, isso eu lembro.
Chocolate, lápis, caneta, borracha, caderno, não sei.

Eu lembro de ouvir que não tinha dinheiro, que era caro, que agora não dava, que não tinha. Então eu nem pedia nada porque já sabia a resposta.
Pode ser por isso que eu nem lembro. Nem procurava saber do preço de nada porque já sabia que a resposta era uma das alternativas acima.

Mas que eu me lembre, desde quando eu comecei a pagar as minhas contas, para cá, não teve grandes mudanças. Grandes mudanças para cima, porque para baixo teve, sim.
Eu paguei uns R$14,00 em um batom que, hoje, é vendido por R$8,00.
Paguei bem uns R$80,00 ou quase isso nas "Crônicas de Nárnia", que eu já recebi promoções onde custava R$30,00 ou nem isso.

Sorvete, só os de fruta. E como eu não procurava nem saber o preço porque já sabia que não ia dar, não tenho parâmetro para falar se o preço subiu ou desceu, em relação aos "só Cornettos", que eu tomo hoje.
Realmente, o meu AllStar Bota foi por volta de uns R$99,00 e esses dias eu vi por uns R$170,00, mais ou menos. Mas isso não foi na minha época nos idos dos Anos 80, foi há uns seis anos, por aí.

O fato é que parece ser da natureza do ser humano, sempre ter um motivo para falar que a outra época era melhor. Pode ser a época que já passou ou a que ainda vai passar, mas sempre tem alguém para falar que "na minha época blablabla", e é sempre reclamando do que está acontecendo agora. Sempre reclamando do que não tem e do que tem. O que não tem mais era bom, o que tem agora é ruim. Mas na época que era bom, ninguém falava que era bom. Esperou perder para reconhecer o valor da coisa (um dos grandes defeitos das pessoas e principalmente, de muitos homens).

Se eu pensar nos meus gastos, eu acho que estou bem equilibrada entre o antes e o depois. Tem coisas que eram melhores, antes. Tem coisas que são melhores agora. E pode ser que depois, terão coisas que serão bem melhores do que antes e do que agora.

O problema é que não damos o devido valor para as coisas (e pessoas, também) que temos e estamos sempre reclamando do que não temos, do que temos de errado e do que queremos ter.

A solução é que a gente pare de pensar no que não temos ou queremos ter (exceto quando estamos fazendo planos para ter), no que já passou ou no que ainda nem chegou (exceto quando estamos fazendo planos para quando chegar e, não reclamando, mas se divertindo com o que passou), no que já foi ou no que ainda vai ser. A solução é viver o momento presente, o que somos, o que temos, o que vivemos.
O que passou, não temos como mudar. O que ainda vem, não temos como saber. O negócio é trabalhar com as ferramentas que temos. E temos coisas maravilhosas. Montes delas.
Já passou da hora de agradecermos e darmos o devido valor ao que temos e a quem temos.
Sem que você perceba, o "antes" vira "agora" e em seguida vira "depois". O tempo não passa, nós é que passamos por ele.
Se não passarmos pelo tempo no seu devido momento, perderemos o tempo e o momento. Se não agradecermos o que temos e quem temos, enquanto temos, não teremos mais nada. Nem "antes", nem "agora", tudo será só "depois". E "depois", não adianta reclamar!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Tudo por causa de um prédio feio.

Da janela do meu quarto na casa dos meus pais, vejo um prédio bem feio. O prédio já é feio, tem uns toldos rasgados, é sujo e parece desses prédios invadidos por moradores de rua, sabe?!
Não sei se tem uma varanda, área de serviço ou algo nesse sentido, mas o prédio já é feio, piora quando um dos apartamentos ostenta uma toalha pendurada na janela. Mas eles têm tv a cabo.
Um carro foi parado pela polícia, no minhocão, na frente do prédio feio.
Talvez, se fosse um prédio comum, não causaria tanto espanto. Seria mais um dia comum, em uma cidade comum.
Mas quando o prédio é feio, uma toalha na janela e uma batida policial na porta deixa tudo ainda mais feio.
E se tentar consertar trazendo coisas de fora, ao invés de arrumar de dentro para fora, piora tudo. Se tentar colocar um quadro ou uma cortina bonita, piorou. Será uma coisinha bonitinha no meio de uma grande coisa feia. O que era para melhorar só estragou mais. A coisa bonita que era para esconder um pouco a coisa feia, só deixou a coisa feia mais destacada.
O negócio é arrumar de dentro para fora, sabe? Como a nossa vida. Ou você começa a arrumar de dentro para fora, vai até a causa do problema e corrige, ou esquece. Porque tentar esconder um problema, um defeito, uma coisa feia, só vai deixá-la mais evidente.
Imagine uma chuva como essas que cairão, provavelmente, o verão todo. Uma chuva dessas em cima de uma bela casa, é uma cena romântica, linda, com vontade de tomar um chocolate quente em Campos do Jordão.
Agora, uma chuva dessas em cima do prédio que eu falei... o prédio não vai cair, mas toda essa feiúra junto e mais essa chuvarada em cima dele, causa essa impressão, certeza!
E não querendo dar a lição de moral, mas já dando, nossas vidas são assim. Ou a gente conserta de dentro para fora, direto da raiz, ou viveremos na coisa feia. Olhando, fazendo e vivendo uma vida muito feia, muito mais feia. Sem esperanças, sem rumo, sem partida e sem chegada a lugar algum.
E pensar que tudo começou por causa de um prédio feio.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Personagens não me pertencem!

Já li coisas que me fizeram pensar em como as pessoas podem ser tão imbecis e prepotentes. Falam um monte de coisas que, para mim, não significam nada e não tenho o menor interesse.
Se eu quisesse ser famosa, poderia falar um monte dessas coisas sobre as quais li e leio eventualmente, quando não dá tempo de virar o rosto. Bastaria entrar para um reality show qualquer, pagar de gostosa, falar sobre minhas estripolias sexuais, falar sobre como sou muito boa fazendo isso e aquilo, falar sobre como os outros são ruins, cantar qualquer besteira e fazer uma coreografia mais besta ainda. Depois, quando ninguém mais se lembrasse de mim, eu poderia voltar com um livro sobre meus amantes, pagar de lésbica em alguma revista, deixar que me fotografem sem calcinha, sem sutiã ou sem qualquer outra coisa, desde que me mostrem em algum lugar.

Eu acredito que, no caso de escolhas, como gostar ou não de determinada banda, livro e afins, não existe certo ou errado, bom ou mau. Tem quem goste de Machado de Assis e tem quem ache um saco. Tem quem goste de Beatles e tem quem ache um saco. Tem quem ache o Paulo Coelho, um bocó. E tem quem ache que seu lugar na Academia Brasileira de Letras é merecido, goste ou não.

Eu sempre defendi o respeito pela opinião dos outros, mesmo que não estejam de acordo com as minhas. Mas como eu não sou de ferro, não sou perfeita e ainda não atingi o Nirvana, e mais do que isso, também tenho os meus gostos e desgostos, também me revolto com muitas coisas, também desço a lenha em muita gente. Embora eu prefira fazer isso de forma mais discreta e em círculos mais fechados, eu também faço!
Que me desculpem aqueles que se sentirem ofendidos, minha intenção, realmente, não é essa.

Mas eu me orgulho, e muito, de não me valer da minha bunda, das minhas trepadas, do que eu julgo ser irônico e sarcástico, do que eu acho que é engraçado e acho que é o que os outros vão gostar, e quem sabe até, da minha arrogância inventada, para pagar as minhas contas.
Quem escreve aqui sou eu, de mim e para mim. Não estou à venda, nem para locação. Não penso na repercussão antes e escrevo depois. Faço o que eu preciso, o que eu quero e o que eu gosto.
Não chego lá em cima interpretando personagens que os outros preferem. Chego lá em cima seguindo os roteiros que eu escrevo.