Foi um ano inteiro de piadinhas, gracinhas, broncas, lições em dupla, em trio, em conjunto e tanta risada, que a minha barriga já dói só de lembrar o tanto que eu ri.
Como aquela vez em que a cueca do Fábio estava aparecendo, eu e a Renata vimos e viramos para a frente. E aí muitas coisas aconteceram na mesma hora.
Na mesma hora a gente viu e virou para a frente, na mesma hora a gente pensou em você e viramos para falar com você sobre qualquer coisa (era só para chamar a sua atenção, de forma que você não visse a cueca do Fábio) e na mesma hora que a gente virou para falar com você, você olhou para o lado, viu a cueca do Fábio aparecendo e pronto... já fez uma zona.
E na mesma hora, eu e a Renata viramos para a frente de novo, abaixamos a cabeça na carteira e rimos até chorar, você já tinha visto o que a gente não queria que você visse, então, já era. A bagunça já estava feita.
Para melhorar, ninguém tirava da cabeça do Fábio que o motivo do furdúncio não era uma suposta tachinha colocada na cadeira dele (estava na moda aquela mania besta de colocar tachinha na cadeira das pessoas), e sim a cueca dele aparecendo.
E essa foi só uma das milhares de historinhas que a gente teria pra contar.
Teve também as vezes em que a gente brigou... mas eu não tenho nenhuma lembrança clara e completa sobre isso porque passava rápido. Depois a gente já estava um deitado no ombro do outro. Eu, você e todo mundo que estava com a gente.
No fim do 1° colegial, antes de entrarmos em férias, eu escrevi a letra de Teatro dos Vampiros no seu caderno e você disse que fazia questão de ter essa música. Só não lembro se era por causa do fim do ano ou se era porque eu já estava com planos de mudar de bairro e consequentemente (palavra que a gente, uma vez, esqueceu e trocamos por consecutivamente), de escola também.
Foi um ano e meio de convivência, de muita alegria e muita amizade. Depois eu saí da escola e o contato ficou difícil, mas a gente dava um jeito. O orkut apareceu para ajudar.
E essa é a primeira parte, totalmente verídica.
A segunda parte eu gostaria de dizer que nós todos continuamos nos falando como se nada tivesse acontecido, como se o fim do colegial, o começo da faculdade, a vida corrida de cada um não fizesse a menor diferença. Por um tempo, foi possível manter alguns encontros, depois... cada um para o seu lado cuidar da sua vida.
Eu gostaria de dizer que continuamos nos falando, conversando e dando muita risada. O nosso convívio continuou o mesmo, mesmo quando você descobriu que estava doente.
E mesmo quando você descobriu que estava doente, todos nós continuamos nos encontrando, falando da época do colégio e dando muita risada.
E mesmo quando você descobriu que estava doente, nós estávamos lá com você.
E mesmo quando você começou o tratamento, nós estávamos lá com você.
E mesmo na hora em que você poderia querer jogar tudo para o alto e falar "FODA-SE!", nós estávamos lá com você.
E mesmo na hora em que poderia doer tanto e que você não conseguia mais aguentar, e dizer FODA-SE já não era mais o suficiente, nós estávamos lá com você.
Até a hora em que não deu mais... mas nós estávamos lá para você.
E eu adoraria dizer que essa segunda parte também é verídica, mas não. Não foi. Isso era só o que eu queria dizer, mas não posso. Essa é a parte que dói mais.
E se essa segunda parte fosse de verdade, eu não sei se isso salvaria sua vida, mas quem sabe... seria menos difícil para você... e para mim também.
Que tudo esteja bem. Que o amor e a amizade permaneçam na vida de todos os que fizeram parte do nosso grupo... em qualquer lugar em que a gente esteja.
"Pois ela não queria que ele a visse chorar. Era uma flor muito orgulhosa..." (O Pequeno Príncipe)

2 Pensamentos Livres!:
Amiga, comecei a ler como quem lê reminiscências do outro, confesso, sem muito interesse. No entanto, de repente, entendi, e tive que voltar atrás e reler o que antes não havia me interessado. Agora tinha outra cor. Chorei. Pelos amigos com quem perdi contato, ao longo dos anos, e pela força das circunstâncias. Pelos amigos que perdi de fato, não apenas eu, mas todos os que tinham o privilégio de conviver com eles. Enfim, mais uma vez me pegas pelo cantinho do coração. Obrigada por mais essa crônica sensível. Bjs.
Lindo. Simplesmente lindo. Abordagem perfeita, humor na quantidade certa. Um dos melhores posts do Blog.
=]
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