Ovelhas Incandescentes

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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Na minha época, nada! Minha época é agora!

Sempre tem um para falar que "na minha época blablabla".
Resolvi pensar na minha época.
Não sei se o McDonalds era mais barato. Não lembro. Meus pais pagavam para mim e nem adianta perguntar para eles porque eles vão falar que "sei lá".
Eu lembro que os discos de vinil não eram essa fortuna que é hoje. Não beiravam as casas centesimais, não, isso eu lembro.
Chocolate, lápis, caneta, borracha, caderno, não sei.

Eu lembro de ouvir que não tinha dinheiro, que era caro, que agora não dava, que não tinha. Então eu nem pedia nada porque já sabia a resposta.
Pode ser por isso que eu nem lembro. Nem procurava saber do preço de nada porque já sabia que a resposta era uma das alternativas acima.

Mas que eu me lembre, desde quando eu comecei a pagar as minhas contas, para cá, não teve grandes mudanças. Grandes mudanças para cima, porque para baixo teve, sim.
Eu paguei uns R$14,00 em um batom que, hoje, é vendido por R$8,00.
Paguei bem uns R$80,00 ou quase isso nas "Crônicas de Nárnia", que eu já recebi promoções onde custava R$30,00 ou nem isso.

Sorvete, só os de fruta. E como eu não procurava nem saber o preço porque já sabia que não ia dar, não tenho parâmetro para falar se o preço subiu ou desceu, em relação aos "só Cornettos", que eu tomo hoje.
Realmente, o meu AllStar Bota foi por volta de uns R$99,00 e esses dias eu vi por uns R$170,00, mais ou menos. Mas isso não foi na minha época nos idos dos Anos 80, foi há uns seis anos, por aí.

O fato é que parece ser da natureza do ser humano, sempre ter um motivo para falar que a outra época era melhor. Pode ser a época que já passou ou a que ainda vai passar, mas sempre tem alguém para falar que "na minha época blablabla", e é sempre reclamando do que está acontecendo agora. Sempre reclamando do que não tem e do que tem. O que não tem mais era bom, o que tem agora é ruim. Mas na época que era bom, ninguém falava que era bom. Esperou perder para reconhecer o valor da coisa (um dos grandes defeitos das pessoas e principalmente, de muitos homens).

Se eu pensar nos meus gastos, eu acho que estou bem equilibrada entre o antes e o depois. Tem coisas que eram melhores, antes. Tem coisas que são melhores agora. E pode ser que depois, terão coisas que serão bem melhores do que antes e do que agora.

O problema é que não damos o devido valor para as coisas (e pessoas, também) que temos e estamos sempre reclamando do que não temos, do que temos de errado e do que queremos ter.

A solução é que a gente pare de pensar no que não temos ou queremos ter (exceto quando estamos fazendo planos para ter), no que já passou ou no que ainda nem chegou (exceto quando estamos fazendo planos para quando chegar e, não reclamando, mas se divertindo com o que passou), no que já foi ou no que ainda vai ser. A solução é viver o momento presente, o que somos, o que temos, o que vivemos.
O que passou, não temos como mudar. O que ainda vem, não temos como saber. O negócio é trabalhar com as ferramentas que temos. E temos coisas maravilhosas. Montes delas.
Já passou da hora de agradecermos e darmos o devido valor ao que temos e a quem temos.
Sem que você perceba, o "antes" vira "agora" e em seguida vira "depois". O tempo não passa, nós é que passamos por ele.
Se não passarmos pelo tempo no seu devido momento, perderemos o tempo e o momento. Se não agradecermos o que temos e quem temos, enquanto temos, não teremos mais nada. Nem "antes", nem "agora", tudo será só "depois". E "depois", não adianta reclamar!

3 comentários:

  1. Acho que o segredo é "adaptabilidade" minha amiga pensadora ! Você já reparou que certas pessoas, que são bem sucedidas, se você às encaixar em qualquer época e em qualquer contexto, elas sempre vão triunfar ! Ah, sobre esse chavão "antigamente era melhor" só tenho a dizer o quanto as pessoas são mal agradecidas por todas as bençãos que Deus envia diariamente prá elas e as mesmas nem notam...

    =)

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  2. Mas sabes que, no meu tempo, ninguém pensava nessa coisa de meu tempo? hehe... E será que o tempo é da gente mesmo, ou a gente é que passa por ele, portanto, ninguém é de ninguém? (ops!).
    Pois, minha querida, eu sou do tempo em que a gente acreditava com mais facilidade. Em tudo...

    Brincadeiras filosóficas à parte,sempre é melhor agradecer, que reclamar.
    Mas não é que a reclamação, na maioria das vezes, vem mais fácil, que o agradecimento? Coisas pra pensar.


    De qualquer forma, posso afirmar com certeza que, no meu tempo, não se tinha acesso a gente jovem que escrevesse tão bem como tu. Não que essas pessoas não existissem, apenas não era tão fácil saber-lhe as letras. Ainda bem que ainda é meu tempo, e que ele anda rico de gente que tem coisas boas pra dizer...rsrs...

    Adoro teus escritos.

    Beijos.

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  3. Minha avó costumava usar a palavra "antanho" para designar os "tempos idos" dos quais tem saudade. "Saudades de antanho, quando era ainda menina"...

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