Ovelhas Incandescentes

Ovelhas Incandescentes

Páginas

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Povo tem o governo que merece!


Tiririca, o palhaço da "Florentina", não sabe o que um deputado faz, mas usa isso como argumento para pedir votos. Cameron Brasil usa uma roupa cafona provocante, em um fundo pior ainda um tanto quanto estranho e pede para votar com prazer, enfatizando o final de seu número "69", Mulher Pera diz que não sabe só rebolar e quando for para Brasília, o bicho vai pegar. Essas e outras aberrações, este ano, também são candidatos a deputados

Particularmente, nada tenho contra essas pessoas e acho que qualquer um que tenha propósitos válidos, tem todo o direito de se candidatar, mas o que elas acham que uma eleição significa? Teatro? Cheio de personagens?

Ainda tem, como em todos os anos, os "candidatos de Deus". Mara Maravilha pede o seu voto para o esposo dela, "e servo de Deus". Em uma eleição anterior, o marido fazia sua propaganda e a mulher finalizava com "não negue seu voto a quem serve o mesmo Deus que você".
Essa apelação sempre teve, mas talvez, as pessoas já estejam acostumadas com isso, até porque, tem o Partido Cristão, também. Da minha parte, não me importa se o candidato é de Deus ou não, desde que ele cumpra o papel que escolheu servir, de cara limpa, e não como personagem que lhe rendeu um lugar na mídia.
E por falar em sempre teve, sempre tivemos, também, os candidatos "Pais e filhos", quando os filhos aparecem para pedir voto para os pais, ou para os amigos e confiáveis dos pais, como a filha do Quércia diz: "Se você sempre acreditou no meu pai, vote em quem meu pai sempre acreditou".

Antes, eu achava o horário eleitoral, um saco. Hoje, lamento dizer que me divirto.
O negócio virou um picadeiro, com direito a piadas sem graça. Antes, as pessoas criavam personagens e uma vez ou outra, traziam os personagens para a vida real. Hoje, a história do Pinóquio evoluiu, são os personagens que querem ser gente de verdade.
Antes eu pedia por um mundo melhor, hoje eu peço por um mundo razoavelmente decente.
E o  pior não é ver toda essa comédia no lugar errado, o pior é saber que os comediantes podem ganhar.
E como diria uma amiga minha: "Virou Brasil".

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

As Moças da Rua do Carmo


Moças bonitas, alegres e discretas.
Um pouco mais do que hoje, pelo que eu soube.
Nem todo mundo gosta das Moças da Rua do Carmo.
Talvez, até, nem eu e nem você.

Porque elas são alegres, aos olhos dos outros.
Bonitas, para quem vê.
Simpáticas, para quem pode.
Mas não do tipo que você gostaria perto de suas filhas.

Por onde andarão as Moças da Rua do Carmo.
Algumas já não existem mais.
Outras, estão para deixar de existir.
Futuras Moças, talvez estejam por vir.

Alguém me disse:
"As daquela época, não são como as de hoje. Elas eram finas, elegantes, tinham classe".
E eu pensei:
"Pobres moças que não foram, não são e jamais serão como as Damas da Rua do Carmo".

Imagem da Rua do Carmo. A Igreja da Boa Morte e, ao lado, o casarão que inspirou a história "Era um cortiço!"



segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O que você fez?

Não queria se apegar a nada e nem a ninguém.
Não queria um animal de estimação porque sabia que iria sofrer quando o animal morresse.
Não queria se envolver com ninguém porque sabia que quando o relacionamento acabasse, iria sofrer.
Não queria ficar muito próximo dos amigos porque sabia que se não os visse com tanta frequência, sentiria saudade deles.
Não queria ficar muito feliz porque tinha medo de quando a felicidade acabasse. Medo de que pudesse ficar mais triste por ter provado da felicidade e depois não ter mais.
Não queria ganhar nada porque tinha medo de perder.
Não queria viver porque tinha medo de morrer.
Mas morreu. E a pergunta foi feita:

- O que você fez?

E ele não soube responder porque não tinha feito nada.
Não chorou, mas também não sorriu.
Não terminou um relacionamento, mas também não teve as alegrias de um.
Não perdeu os amigos, mas também não teve a companhia deles.
Não sofreu por ninguém, mas também... não teve ninguém.
Não teve uma vida, e mesmo assim perdeu.

Um dia, todos nós perderemos tudo. E se for assim, que a gente tenha primeiro, para depois perder.
Tenha uma vida, antes que ela termine.
E quando perguntarem: - O que você fez?
Poderá dizer:
- Eu chorei e ri muito. Eu vivi pra caramba! Fiz algumas besteiras, mas também fiz muitas coisas boas. Acreditei em quem devia e me ferrei por acreditar em quem não devia. Mas como eu ia saber? Posso ter me machucado muitas vezes, mas nada se compara às coisas boas que tive, aos bons amigos, às gargalhadas que dei, às reuniões com a família, à todas as coisas que me deixaram feliz. Eu vivi. E é pra isso que a gente nasce, para viver. Agora só falta morrer. E fecho com chave de ouro a minha listinha de tarefas.


"Você pode nunca ser ou ter um marido, você pode nunca ter ou segurar uma criança.
Você aprenderá a perder tudo. Somos arranjos temporários." (No Pressure Over Cappuccino, Alanis Morissette)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Revolta é para os fracos

Primeira visita à Las Vegas. Tudo bem, nunca teve saco para jogos, principalmente quando envolvem dinheiro.
Ir a um ou outro cassino não era problema. Não deixaria as calças lá, nem seria acompanhada até a porta.

1° jogo: menos 50 dólares.
2° jogo: menos 100 dólares.
3° jogo: menos 100 dólares.

O último, jurou que era o último. Mais duzentos dólares a menos.
Chega, outro lugar. Outro cassino? Mas que merda. Pelo menos esse tem coisas legais para comer, além das bebidas destiladas, com gosto de gasolina. Coisas para atrair os jovens jogadores.

1° jogo: menos 50 dólares.

São duas, as ocasiões em que você deve parar de jogar: Quando está perdendo e quando está ganhando.

Então esse é o último! 3.000 dólares a mais!
E essa é a hora em que você deve parar. E parou!
De volta ao hotel. Balancete patrimonial:

450 dólares a menos.
3.000 dólares a mais.

Era uma boa contabilidade. Ficou feliz com isso.
Comprou uns presentes para a família e mais alguns extras para uso pessoal.
Voltou com mil dos três mil que ganhou. Antes de desfazer as malas, viu se o dinheiro já estava na conta, antes de chegar em casa, já tinha passado no banco e depositado o dinheiro em sua conta, antes de passar no banco, já tinha passado na casa de câmbio e trocado os dólares. E já estava na conta.
Fez uma transferência com os mil dólares que sobraram. Não precisaria deles. Mandou para quem precisava.

Quem ganhava sempre dez mil dólares a mais por mês, todo mês, não precisava se preocupar com mil dólares ganhos, a menos.

E poderíamos dizer que ela era uma menina rica, de boa família, boas escolas e boas várias outras coisas, que tinha tudo o que queria e que trocou tudo para se afundar em sexo e drogas, e terminou a vida se prostituindo por qualquer carreira de cocaína.
Mas essas histórias já existem aos montes. E muitas delas são inventadas por quem quer a adrenalina ilusória, mas não a realidade fatal de uma vida dessas.

Poderíamos dizer que ela trocou o conforto do lar e o dinheiro do papai por uma vida promíscua porque precisava se encontrar e foi em busca de sua felicidade.
Poderíamos dizer muitas outras dessas histórias boçais, mas não. O estilo "pobre menina rica" não lhe cabia.
Deixaremos essas para quem, como dizem, quer causar.

Ela não queria e nem precisava. Veio de boa família e continuaria em boa família. Sabia dar valor ao que tinha, ao que tinha ganhado da família e ao que ganhou por mérito próprio. Jamais jogaria tudo fora com essa frase de efeito de "Preciso me encontrar". Isso é para os fracos.
Ela sabia o que queria e sabia o que tinha. E fez bom proveito!

Mil dólares a menos era como fazer uma compra de quatro reais, dar uma nota de cinco e deixar o troco para o caixa.
A questão não é nem "Quem pode", mas "Quem sabe", "Quem faz" e "Quem agradece".

Reclamar, se revoltar, bancar a vítima, causar... vá se encontrar na merda, mas vá sozinho. Nem todo mundo gosta do papel de vítima. Há quem prefira o papel do bem sucedido.