Ovelhas Incandescentes

Ovelhas Incandescentes

Páginas

sábado, 28 de agosto de 2010

"Sem Pingo, sem i"

No meio da semana eu estava fazendo uma versão final de uma coisa que escrevi sobre gente que não quer ter porque já tem medo da hora em que não tiver mais, medo de sofrer, medo de doer. Mas tive um imprevisto nesse fim de semana (27/08/10). Um imprevisto, levemente e dolorosamente previsto. Perdi, sofri, doeu, continua doendo. E eu não pude falar de outra coisa senão do "i" que falta no meu Pingo. Um Pingo com letra maiúscula.
Agradeço por ter tido 2 anos e 5 meses desses seus 13 anos. O tempo do meu namoro com o Doug. Te conheci no dia em que começamos a namorar.
Vi você me receber na porta, você me deixou te pegar no colo e até gostou porque quando eu abaixava para pegar, você até fazia aquele impulso com os pés. Sim, com os pés, com os seus pés de cachorro.
Vi você na cozinha, atrás da gente, para ver se ganhava alguma coisa. Eu sempre relutei um pouco em dar qualquer coisa que não fosse politicamente correta, mas algumas vezes a política correta falhava.
Vi você brincar de estátua, esconde-esconde, e era para você me devolver a bolinha e eu jogar de novo e não você pegar a bolinha e não deixar ninguém mais chegar perto.
Vi você se esconder atrás de mim para não tomar banho, mas eu sinto muito Tchutchuquinho, não podia te ajudar nessa hora.
Vi você avisar a gente quando alguém chegava ou quando tinha qualquer barulho estranho, ou movimento suspeito.
Vi você na sala com a gente, às vezes, até caindo de sono, baixando a cabecinha e quase dormindo em pé, mas você não ia para o seu cantinho, enquanto a gente ainda estivesse acordado.
Vi você ser a coisa mais linda do mundo, deitado entre a sala e a cozinha, com as patinhas apoiadas naquele semidegrau que separa a sala da cozinha. E dormir sentado porque você estava com sono, mas não saía dali enquanto a gente não saísse também. Parecia pai e mãe, que não vai dormir enquanto o filho não chega em casa.
Mas agora é estranho passar pela cozinha e não te ver no seu cantinho.
Estranho ir para o banheiro e no caminho não falar "Tchutchuquinho". 
Estranho chegar e não ir no quintal falar com você.
Estranho estar no computador e você não aparecer lambendo a minha mão e apoiando a cabeça no meu colo.
Estranho olhar pela janela e não te ver mais tomando sol. De manhã, eu olhei pela janela, como sempre fiz, para falar "Tchutchuquinho". Mas você não estava mais lá. Não tem mais Pingo. 
E mais estranho ainda, sentar na sala e não ver as patinhas brancas apoiadas no semidegrau.
Infelizmente (ou não, porque apesar de doer, não me arrependo e ainda agradeço), você não é o primeiro e não será o último amiguinho de quem eu tenho que me despedir, de quem vi e verei o último segundo aqui. De quem posso dizer: "Ficamos com você até o fim, mesmo". E você não foi antes, esperou todo mundo chegar para ir embora. Levantou a cabecinha, olhou pela última vez... e foi.
 Você não é o primeiro e não será o último amiguinho, nem mesmo, o primeiro Pingo no "i" da minha vida.
Mas será sempre um único na minha vida. Para mim, o "Meu Tchuchuquinho", para o Doug, o "Branco do pai". Mas sempre, o nosso Pingo, para sempre!
Uma vez li numa mensagem: "Saudade é o amor que fica".
E assim, a gente fica...
E indo da casa do Namorado para casa, fui te procurar para dar tchau, como sempre fiz, mas você não estava mais lá. Chorei escondida no banheiro... e fui embora.
Sempre estará aqui comigo.
"Eu: Pingo sem i". (Frase da música "Pingo sem i", de Galldino OctOpus)  

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Muitas bolachinhas, um só pacote.

O grupo se assustou. Precisava gritar desse jeito?
Eles já estavam acostumados aos gritos da chefe, mas era sempre uma surpresa cada vez que ela vinha dar algum recado, porque era sempre um escândalo.
Não sabia falar em tom normal e achava que para dar avisos ou repreender funcionários, tinha que berrar e dar escândalos.
Achava que essa era a melhor forma de obter o respeito, o bom trabalho e até mesmo, o profissionalismo dos funcionários. Dando escândalos. O grupo até se preocupava, achava que qualquer dia poderia cair dura, com um ataque cardíaco.
Uma vez, o responsável do outro setor veio falar com o grupo.

- "Eu ouvi a bronca que vocês tomaram no outro dia. Não era para ser assim, era para ser só um aviso".

E foi assim que ela ficou conhecida. Na sua empresa e também nas empresas vizinhas. Pelos seus funcionários e pelos funcionários ao redor.
Pelo seu mau humor, pela sua grosseria, pela sua paranóia.

Não sabia falar, só gritar.
Não sabia ensinar o serviço, só falar em voz alta para ela mesma e querer que a outra pessoa tenha aprendido o que ela fez, sem mostrar ou dizer exatamente o que fez.
Não sabia atender um pedido de trabalho de outro funcionário, porque estava ocupada resolvendo um assunto em um de seus inúmeros perfis em sites de relacionamento, que passavam o dia inteiro abertos em seu computador. Além do MSN, é claro.
Não sabia responder as perguntas ou falar em tom normal, só sendo grossa, o que era sua característica marcante.
Não sabia falar o que podia ou não fazer dentro da empresa, só sabia berrar o que não era para ser feito, depois que já tivessem feito sem saber.
Não gostava que ninguém desse trabalho para seus funcionários, mas também, não dava nenhum trabalho para eles fazerem.
Nunca se deu ao trabalho de falar o que poderia ser feito ou não na empresa. Os funcionários inventavam passatempos para as horas em que não tinham trabalho para fazer. E isso acontecia muitas vezes, durante muitos dias consecutivos. E acabou que não podiam fazer nada. Só ficar olhando um para a cara do outro, um para o monitor do outro, porque não podiam fazer nada naquelas horas que ficavam sem fazer nada. E eram muitas horas em muitos dias.
A simpatia não passava trabalho, não gostava que ninguém passasse trabalho e dava escândalos quando os funcionários inventavam alguma coisa para fazer nessa ausência de trabalho.

A verdade foi descoberta pouco tempo depois. Que triste!
Descobriram o porquê de tanto mau humor, tanta grosseria, tanto desequilíbrio mental e emocional.
Era falta de açúcar no sangue. Excesso de açúcar e gordura no cérebro.
Pobrezinha, era uma paranóica. Com mania de dietas, viciada em shakes e produtos light. E achava que assim levava uma vida saudável.
Pura ilusão de uma mente paranóica.
Ao invés de uma aparência saudável, mostrava uma cara amarela, de quem parecia ter anemia há bastante tempo. Olheiras fundas, diárias, de quem passou noites em claro.
A falta de, quem sabe, batatas fritas, lanches, pizzas e algum doce no organismo, fez com que produzisse os hormônios da "paranóia-light-adquirida", uma doença grave em que o paciente se acha muito bom, mas que não passa de um bocó paranóico, sem perfil para liderar uma equipe, sem noção do que um chefe pode, deve ou não, fazer ou falar. E que no anseio de ser uma pessoa bonita, saudável e bem sucedida, se torna uma pessoa tosca, doente, feia e mal vista pelas pessoas ao seu redor.
O tratamento existe, mas raramente essas pessoas doentes aceitam a realidade de sua situação.
Faça um lanche, coma um docinho, aprenda a falar com as pessoas e saiba de uma coisa:

Você é só mais uma bolachinha nesse imenso pacote em que vivemos.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Era um cortiço!


A porta do casarão era pesada e parecia de ferro.
Era um cortiço! Desses que cada família ocupa um quarto e o banheiro é compartilhado.
Eles moravam do lado esquerdo. Esquerdo, como o lado que o filho menor escreve.


Eram três: a mãe, a filha mais velha e o filho menor (o que escrevia com a mão esquerda).
Tinha mais um filho, mas daremos este como emancipado.
Era um casarão bonito. E ainda é... para quem sabe ver.

 

Ainda está lá, na Rua do Carmo, N°198, na Sé, ao lado da Igreja Nossa Senhora da Boa Morte (igrejas podem ter nomes tão estranhos). Rua que já abrigou belas damas, bonitas e alegres (aos olhos de quem vê), mas não do tipo que você gostaria perto de suas filhas. Talvez ainda estejam lá, mas eu não vi nenhuma. Talvez, não sejam mais as mesmas damas de antes, da época do casarão. E talvez, isso me dê outra história. Por hora, voltemos ao casarão.
Dizem que foi construído em 1910, mas o tempo passa para todos... e para tudo também.
Eu só o conheci há um mês atrás, quando andava com meu pai por ali. Eu sempre soube que as condições nunca foram das mais favoráveis, mas eu nunca imaginei a própria condição.
Eu nunca morei numa casa dessas. Eu nunca precisei. Eu nunca tive tudo o que eu queria, mas nunca me faltou nada.
Eu não via muito meu pai e minha mãe. Não porque eles não quisessem, mas porque tinham que trabalhar para sustentar a família.
Eu costumava ficar doente muitas vezes, e era muito ruim. Mas o bom disso é que eu via minha mãe mais vezes.
Eu tinha medo do escuro porque eu via um monte de coisas que eu não entendia bem o que era e não queria entender porque eu tinha medo. E meu pai deixava a luz do corredor acesa para mim.
Eu tomava um monte de injeções e não sabia porque eu chorava tanto, mas eu sempre saía de lá com uma seringa para brincar e uma caixinha de lápis coloridos de chocolate.
Eu acordava no meio da noite e tinha vergonha de pedir para dormir com a minha mãe, mas quando ela acordava e me via andando no quarto, me chamava para deitar com ela.
As pessoas não podiam me entender. Não viam o que eu via. E não viam como eu. Mas todo mundo que morou comigo era da minha família.

 

Da família de três pessoas que morou ali, eu conheci as três. Mas nunca conheci esse casarão. Eles já moravam em outra casa quando os conheci.
A mãe deles sempre me dava dinheiro e me fazia camisolas. E na maioria das vezes, me chamava de "minha filha".
A filha mais velha me emprestava revistinhas e tinha tantos gatos e cachorros, que eu poderia passar horas com todos eles, e deve ser por isso que eu gosto tanto de animais.
E agora que eu pensei nisso, pode ser por isso, também, que o filho mais novo gosta de animais e também gosta de revistinhas. E foi ele quem me deu minhas primeiras revistinhas. Foi assim que eu aprendi a ler, eu era bem pequena. Ainda nem tinha entrado na escola, mas já sabia ler.
Do pai deles, eu não sei. Porque eu era "muito mais pequena" quando ele morreu. Mas sei que, na verdade, ele era o padrasto. O pai deles, mesmo, morreu quando o filho mais novo era pequeno.
Mas eu sei que o padrasto tinha um problema com bebida e, nas suas crises, jogava as panelas de comida na parede.
Triste, não? Eu não sei se ele morou no casarão, mas seria bem típico de família que mora em cortiço. O marido está bêbado e atira o que vê pela frente nas paredes.


Do casarão, eu não sei nada. Não sei qual a história dele e nem saberia, mesmo conhecendo essa família que morou nele. Nunca o teria visto, se não fosse o passeio que dei com meu pai naquele dia.
Não fosse por isso, nunca teria visto esse casarão e nem ouvido a história que ele me contou.
Tudo fala, basta sabermos ouvir.
E esse casarão falou comigo naquele dia.

  

Isso poderia assustar alguns, ele já não é mais a bela casa que certamente já foi. Hoje é só mais um casarão abandonado e, teoricamente, mal-assombrado.
E ele me falou que heróis também existem fora das revistinhas. E que alguns deles, saem de cortiços como ele.


Disse que o filho mais novo dessa família que morou aí, era um super-herói disfarçado, mas só duas pessoas sabem disso.
Como herói, ele atende pelos nomes de "Paizão", "Bob-Pai" e "Meu pai, meu pai, meu pai". Casou-se com uma, também, heroína, a "Poderosa Zux", e tiveram duas filhas.
E você pode achar que isso é uma brincadeira, mas não é. Nem a parte do Herói, nem a parte da "Poderosa Zux", e nem a parte das duas filhas.
Uma gosta de experimentos, a outra gosta de escrever.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Estatísticas


Uma entre dez pessoas estão satisfeitas com o que leem e com o que veem;
Dez entre onze pessoas sempre tem alguma crítica sobre o que leem e o que veem;
Onze entre doze pessoas sempre se colocam abaixo dos outros e acham certo os outros se colocarem abaixo de outros;
Doze entre treze pessoas acham que pessoas "famosas" (não confundir com artistas), são melhores ou diferentes do que o resto da humanidade;

EU? Eu tenho certeza que somos todos seres humanos, com necessidades financeiras, amorosas e principalmente, fisiológicas. Então, não se iluda!

* Todos nós nascemos e todos nós vamos morrer;
* A beleza é relativa;
* Os interesses são diferentes;
* Os homens não são todos iguais, as mulheres, muito menos;
* Dinheiro não compra felicidade, mas te ajuda a chegar lá;
* Você nunca estará imune aos erros;
* E uma vez que somos todos seres humanos, ninguém pode ser melhor do que você.

Falei!