Ovelhas Incandescentes

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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Dona "de" casa, dona "da" casa.

Se preocupar com o fato de não saber cozinhar... não sabia cozinhar, mas não via problema nisso.
Não morreria de fome, mas a comida que fazia não era uma delícia.
Não que não pudesse comer, mas se fosse escolher... preferia fazer um lanche.
Não via graça nenhuma em cozinhar. Também não achava a pior coisa do mundo, mas não era a sua cara falar: "Oba, vamos cozinhar, que delícia", como quem fala: "Oba, vamos à sorveteria, que delícia".
Entendia que poderia ser legal para algumas pessoas e até conhecia várias pessoas que adoravam cozinhar... mas continuaria legal para essas "algumas e várias" pessoas.
Se existia comidas prontas e pessoas cujo trabalho é cozinhar para outras pessoas, isso deveria ser utilizado.
Afinal, o que seria das empresas de comidas congeladas? Dos funcionários dessas empresas? E dos cozinheiros? Fazer uso dessas ferramentas era gerar empregos e pessoas felizes com suas profissões. Fazer a economia prosperar.

Era nisso que pensava, enquanto fazia as compras. Estava até rindo sozinha por esse debate de uma pessoa só, promovido na própria cabeça.
Continuou sorrindo ao sair do mercado, ao entrar no carro e falar "vamos" ao motorista, ao entrar no prédio em que morava, enquanto o elevador subia, ao abrir a porta de casa e ao dar o alegre e sorridente "cheguei" à sua "equipe", como gostava de chamar as pessoas que trabalhavam em sua casa, fazendo os serviços de casa que ela não podia, não sabia e não gostava de fazer.

Não eram meras cozinheiras, faxineiras, lavadeiras, motoristas e outros -eiras ou -istas equivalentes. Se uma empresa tem uma equipe de funcionários que presta serviço à empresa, uma casa também tem uma equipe de funcionários que presta serviço à casa, portanto, eles eram parte de sua equipe. E uma ótima equipe.

Deu um beijo em cada uma das duas mulheres que se encontravam na cozinha, ocupadas com o jantar, e foi direto para o banheiro, tomar um relaxante banho (mas não de banheira, que hoje não era o dia).
O cheiro bom de comida corria pela casa. E ela ria e agradecia por não ser a responsável pelas atividades da casa, e pela excelente equipe de funcionários que tinha para cuidar da casa.
Ria e agradecia, enquanto sua única responsabilidade naquele momento, era tomar um agradável e perfumado banho. O jantar já estava quase pronto. Não tinha que se preocupar com isso, nem com demais atividades ditas domésticas.
Não era, nem queria ser uma boa dona de casa. Mas era, certamente, uma excelente dona "da" casa!

Um comentário:

  1. Nunca havia pensado nisso minha Amiga Pensadora ! Pressionar as pessoas a fazerem o que elas não desejam, poderia gerar um colapso em toda economia ! =)

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