Ovelhas Incandescentes

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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Revolta é para os fracos

Primeira visita à Las Vegas. Tudo bem, nunca teve saco para jogos, principalmente quando envolvem dinheiro.
Ir a um ou outro cassino não era problema. Não deixaria as calças lá, nem seria acompanhada até a porta.

1° jogo: menos 50 dólares.
2° jogo: menos 100 dólares.
3° jogo: menos 100 dólares.

O último, jurou que era o último. Mais duzentos dólares a menos.
Chega, outro lugar. Outro cassino? Mas que merda. Pelo menos esse tem coisas legais para comer, além das bebidas destiladas, com gosto de gasolina. Coisas para atrair os jovens jogadores.

1° jogo: menos 50 dólares.

São duas, as ocasiões em que você deve parar de jogar: Quando está perdendo e quando está ganhando.

Então esse é o último! 3.000 dólares a mais!
E essa é a hora em que você deve parar. E parou!
De volta ao hotel. Balancete patrimonial:

450 dólares a menos.
3.000 dólares a mais.

Era uma boa contabilidade. Ficou feliz com isso.
Comprou uns presentes para a família e mais alguns extras para uso pessoal.
Voltou com mil dos três mil que ganhou. Antes de desfazer as malas, viu se o dinheiro já estava na conta, antes de chegar em casa, já tinha passado no banco e depositado o dinheiro em sua conta, antes de passar no banco, já tinha passado na casa de câmbio e trocado os dólares. E já estava na conta.
Fez uma transferência com os mil dólares que sobraram. Não precisaria deles. Mandou para quem precisava.

Quem ganhava sempre dez mil dólares a mais por mês, todo mês, não precisava se preocupar com mil dólares ganhos, a menos.

E poderíamos dizer que ela era uma menina rica, de boa família, boas escolas e boas várias outras coisas, que tinha tudo o que queria e que trocou tudo para se afundar em sexo e drogas, e terminou a vida se prostituindo por qualquer carreira de cocaína.
Mas essas histórias já existem aos montes. E muitas delas são inventadas por quem quer a adrenalina ilusória, mas não a realidade fatal de uma vida dessas.

Poderíamos dizer que ela trocou o conforto do lar e o dinheiro do papai por uma vida promíscua porque precisava se encontrar e foi em busca de sua felicidade.
Poderíamos dizer muitas outras dessas histórias boçais, mas não. O estilo "pobre menina rica" não lhe cabia.
Deixaremos essas para quem, como dizem, quer causar.

Ela não queria e nem precisava. Veio de boa família e continuaria em boa família. Sabia dar valor ao que tinha, ao que tinha ganhado da família e ao que ganhou por mérito próprio. Jamais jogaria tudo fora com essa frase de efeito de "Preciso me encontrar". Isso é para os fracos.
Ela sabia o que queria e sabia o que tinha. E fez bom proveito!

Mil dólares a menos era como fazer uma compra de quatro reais, dar uma nota de cinco e deixar o troco para o caixa.
A questão não é nem "Quem pode", mas "Quem sabe", "Quem faz" e "Quem agradece".

Reclamar, se revoltar, bancar a vítima, causar... vá se encontrar na merda, mas vá sozinho. Nem todo mundo gosta do papel de vítima. Há quem prefira o papel do bem sucedido.

Um comentário:

  1. Querida Regiane. Não sei o contexto pelo qual você se inspirou nessa postagem mas, enquanto eu lia o texto, pensei o seguinte:

    "Você culpa seus pais por tudo,
    isso é absurdo.
    São crianças como você.
    O que você vai ser
    quando você crescer?"

    =)

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