Ovelhas Incandescentes

Ovelhas Incandescentes

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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Todo ano é novo, todo dia é novo.

Eu me começo de novo todos os dias.
Os dias não nascem à toa. Não terminam por nada.
Os dias começam para a gente fazer algo dar certo. Terminam para a gente acabar logo com isso e se esconder debaixo dos travesseiros, se algo estiver dando errado.
Terminam para que a gente faça mais uma coisa boa, se tudo deu certo. Para que a gente faça mais uma coisa boa no dia seguinte. Para que tudo dê certo ou para que tudo dê certo de novo.
O dia nasce para que você seja feliz e termina para que você seja feliz mais uma vez. Ou para que você comece de novo e faça a coisa dar certo, desta vez.
Pode ser que nem tudo seja do jeito que você quer, hoje. Mas amanhã, tem um dia novinho, te esperando para nascer, para você fazer e acontecer.

Isso não significa que você pode deixar tudo para amanhã. O amanhã não é reserva, não é o lápis a mais que fica no estojo, a blusa de frio que fica na bolsa, nem o guarda-chuva que não sai da mochila porque "vai que chove". Todo ano é novo, todo dia é novo. Não espere chegar o 1° de janeiro para ser feliz ou fazer o que você quer.
O amanhã é a segunda chance que se tem de fazer a coisa certa.
Só não dependa do amanhã para ser feliz, porque você pode ser feliz hoje. E principalmente, porque você pode ser feliz hoje e amanhã. E você pode começar a ser feliz agora mesmo!

Um espetacular final de 2010 e um ano inteiro de 2011, espetacular, para todos nós!

Em cada ponto iluminado do céu moram os Deuses. Eu pensava assim quando era pequena. E ainda penso.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Um conto de natal.

Não inventei nada. Essa é a realidade desta minha família brasileira.
Comemoramos o Natal na minha família, fazemos a ceia na passagem do dia 24 para o dia 25, isso acontece desde que eu me lembre, e eu me lembro muito. Montamos árvore de natal, trocamos presentes, nos abraçamos e desejamos feliz natal. Muitas vezes, fazemos uma oração à meia-noite.
Acho um saco passar o dia cozinhando e limpando a casa (não cozinho mas ajudo na cozinha e na limpeza, valeu?), mas aprendi a gostar do Natal.
Não é que eu não gostasse, mas fora essa de cozinhar e limpar a casa, sobra tudo para a minha mãe e para a minha tia. Mas à noite, quase perto da meia-noite, já está todo mundo aqui, prontinho para comer e, se pans, levar uma quentinha para casa. Já teve até quem falasse: "Ai, eu só não te ajudo porque a cozinha é pequena".

Quando eu era pequena, tinha vontade de chorar. Não sei porque, mas lembro que em Natal e Ano-Novo, perto da meia-noite, eu tinha vontade de chorar.
Mas fora isso, eu começava a ficar com sono, ainda tinha que arrumar a cama e o quarto estava sempre bagunçado porque tinha um monte de bolsas de um monte de gente que ia chegando e iam colocando tudo na nossa cama e eu ficava nervosa porque estava com sono e ainda não podia dormir porque ainda tinha que arrumar a cama e um lugar para todas aquelas bolsas intrusas, e tudo isso sem parecer que eu estava expulsando as bolsas da minha cama e aí era mais um motivo para me dar vontade de chorar, porque eu estava nervosa porque estava com sono, mas ainda tinha que arrumar a cama, não dava para só deitar e dormir, e eu fico muito mal-humorada quando estou com sono e mais ainda quando estou com sono e não posso dormir... mas aí eu era a chata da história. Sempre fui a chata da família, por um motivo ou outro, mas a chata era sempre eu.

E no dia seguinte, todos já foram, muito bem alimentados, felizes e com suas quentinhas, mas lá está a nossa casa para limpar novamente, depois da bagunça da festa.
E acho que é isso que sempre me irritou no natal, um monte de gente para festejar, mas não um monte de gente para promover e cuidar do evento... é foda!

Mas essa é a parte chata e mal-humorada da coisa. Tem a parte boa, também. Um monte de comida boa, conversas e risadas com a família unida, nem todo mundo da família cai fora, tem muita gente da família que também ajuda e muito, tem presentes (e quem não gosta de ganhar presentes?), e a gente se diverte.

Minha irmã me ensinou a gostar do natal, da casa cheia, da família unida, de comemorar as datas que devem ou deveriam ser comemoradas. Não fosse ela, não teria árvore de natal aqui em casa, piorou o pisca-pisca na varanda. É ela quem monta a árvore, as duas. Da casa dela e daqui de casa.
Estou de mudanças... de muitas mudanças, de todas as mudanças. Imagino minha casa no natal, com as intervenções natalinas da minha irmã. E ela já disse que será minha consultora de enfeites natalinos e transformará minha casa na Estátua da Liberdade, no natal. =]

Aniversário de Jesus? Sim, nós sabemos. Viemos de uma formação católica, mesmo que não sejamos, exatamente, praticantes. Nossa consciência cresceu um pouco mais, mas jamais ignoramos o fato de que, apesar da festa, presentes e pisca-pisca, neste dia se comemora o nascimento de Jesus. Mas o fato a ser tratado aqui, é o que eu aprendi agora e não o que eu já aprendi antes.

E eu aprendi a ver as coisas boas, mesmo sabendo que as coisas ruins existem. Aprendi a dar mais atenção para o lado bom, a agradecer mais e reclamar menos, a ter um copo metade cheio e aprendi que apesar das coisas ruins, do trabalho, da encheção de saco e de tudo que for chato, sempre tem coisas boas na minha vida. E a minha família é uma delas.
Por mais que tudo sempre tenha o seu lado chato, o lado bom sempre compensa. Eu aprendi com a minha irmã.
Eu ainda sou a chata da família, mas hoje, eu também tenho um lado muito mais legal.


Eu e minha irmã Raquel. Almoço de Natal, 25/12/2007.

Obrigada pela minha família!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Não acomodar com o que incomoda!

Não podemos mudar as pessoas, mas podemos nos mudar. Nos mudar do emprego, do casamento, da faculdade, de qualquer coisa.
Nos mudar do jeito que somos, nos mudar dos amigos que temos, nos mudar da vida que levamos.
Às vezes, as mudanças vem primeiro. O emprego nos muda dele, o casamento nos muda dele, a faculdade não nos muda dela, mas parece que pede para a gente pegar nossas coisas e sair correndinho. Qualquer coisa pode se mudar da gente, antes que a gente se mude dela.

Dizem que alguns problemas de saúde estão relacionados ao nosso comportamento.
Problemas no intestino, por exemplo, estão relacionados à recusa em ter mudanças e não querer largar o passado. Não tenho porque não acreditar nisso e não sei sobre outros problemas de saúde, mas, esse, eu posso afirmar que está certo. Não, não se preocupe, eu não vou falar da minha relação com o banheiro, mas acho que não há problemas em dizer que hoje estou bem com ele e aceito de bom grado todas as mudanças que acontecem na minha vida.

Mudanças também ensinam muitas coisas e algumas você tem que aceitar, mesmo que não goste.
A gente sempre acha que pode mudar as pessoas, que vai ser diferente, que fulano(a) vai mudar. Às vezes, isso pode acontecer, mas da mesma forma, também pode não acontecer. E lamento, mas você terá que engolir isso. Você, eu e toda a torcida da Fiel.

Não podemos mudar os outros, mas podemos nos mudar. Portanto, se você não está satisfeita(o) com qualquer coisa na sua vida, aquele ditado cretino é muito válido: "Os incomodados que se mudem".
Mude. Você não tem que aguentar uma situação que não gosta. Você não tem que aceitar nada que não goste. E não confunda com o "alguém tem que ceder", que há em todo relacionamento. Tem coisas que temos que ceder mesmo, mas tem coisas que são inaceitáveis e você não precisa ser a exceção se não quiser, se mude!
* A frase "Não acomodar com o que incomoda" faz parte da letra "Criado-Mudo", da espetacular trupe "O Teatro Mágico".

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Acreditem em mim: Nós podemos ajudar!

Hoje a coisa é séria, realista e um tanto quanto triste. Não que já não tenha escrito sobre coisas desse tipo antes, mas agora é mais sério.
Há alguns anos tomei conhecimento da ONG Vira-lata é 10! Como o nome já diz, é uma ONG que cuida de animais de rua, os famosos vira-latas. A partir de então, passei a dar o meu "dízimo", ajudando a ONG, entre outras organizações que cuidam de animais, como posso.
Mensalmente, recebo o informativo Cãociente, com as novidades, necessidades e situação da ONG.
Esse mês, as notícias foram um pouco mais ruins. Não que só haja coisas ruins, claro que não, mas para ONGs que vivem de doações e trabalhos voluntários, infelizmente, as notícias ruins são maiores que as boas notícias.


O que aconteceu é que uma dos cômodos do sítio foi destruído. Esse cômodo guardava rações, remédios, vacinas, vermífugos e era usado como uma ala médica para os animais que precisavam de mais cuidados médicos. Os animais estão bem e não houve nada de ruim com eles, graças a Deus(a), literalmente, pois esse cômodo fica bem ao lado do Gatil. Mas o pior de tudo isso, além da perda de material e mais gasto que virá por aí, é saber que isso deve ter sido causado por uma pessoa. Isso mesmo, um suposto ser humano.


No local não há sinais de problemas elétricos, algo que possa ter explodido, um curto circuito ou algo do tipo. A fiação é nova e o cômodo foi contruído há poucos meses. Na parte de fora, onde o chão é de terra, há pegadas que seguem para a mata que circunda o sítio, além do mato amassado que há nesse mesmo local.


Agora me falem, por que um dito ser humano, dotado de inteligência, raciocínio e aliás, é nisso que difere dos outros animais, se dá ao trabalho, falta do que fazer, burrice, falta de caráter e outras coisas baixas, de fazer uma coisa dessas? Eu sei que há muito mais podridão humana, além disso, há muito mais maus tratos a animais, às pessoas, às coisas, que o ser humano é capaz de fazer e fez, mas vou manter o foco neste caso em particular.
Além da luta diária que uma ONG tem para cuidar de seus abrigados (pois vivem de doações e voluntários), a ONG Vira-lata é 10! ganhou mais uma tristeza, um prejuízo e claro, divídas a mais.


É por isso que venho aqui hoje, pedir a ajuda de vocês, da forma que puderem. A ONG aceita materiais de limpeza, remédios, jornais, cobertores e o que puder ser utilizado. Caso possa ou prefira ajudar com dinheiro, qualquer quantia ajuda, qualquer quantia, mesmo.

 Banco Itaú
Ag. 0300 C/C: 02395-9

Banco Bradesco
Ag. 1361 C/C 14376-6

Além disso, você também pode ajudar pedindo a nota fiscal paulista e dando o cnpj da ONG Vira-lata é 10!  Para compras de qualquer valor, qualquer valor, mesmo, peça a nota fiscal paulista e dê o cnpj da Vira-lata é 10! O CNPJ é 05.551.027/0001-96.


Uma pequena ajuda sua pode fazer muita diferença para os nossos irmãos de quatro patas. Uma pequena ajuda pode não parecer grande coisa para você, mas para os animais significa muito.
Somando pequenas ajudas chegamos a um final muito maior do que esperávamos. E esse final depende da nossa união para ser feliz. Nós podemos fazer um final feliz, podemos fazer a diferença no mundo, podemos ser úteis, podemos fazer coisas maravilhosas. É só começar, acreditar e trabalhar nisso. Insistir em um final feliz.
O mar só é grande porque passou por muitas pequenas e solitárias gotas de água. O dinheiro que forma bilhões de reais só existem porque muitos solitários reais, moedinhas e aqueles centavos únicos que você nem ligava, se juntaram para formá-lo. Portanto, não se iluda com as aparências. Qualquer ajuda, por menor que pareça, somadas a outras, sempre formará uma grande e inabalável força, que poderá sustentar e fortalecer qualquer coisa, inclusive você.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Trouxa ou malresolvido.

O passado não se manca.
Inevitável parar as lembranças, nem se for para xingar.
Você vê uma coisa que te lembra outra e sem querer fala: "besta".
Para a situação atual? Não, é que aquilo te lembrou outra coisa e o "besta" foi para essa outra coisa.
Não dá nem para filtrar as lembranças. Dá para você parar de pensar naquilo que acabou de pensar porque lembrou disso. Mas aí, você já pensou, uma vez pelo menos, quando lembrou. Aí já era, já está pensado.
Só dá para xingar mais uma vez e esquecer que você lembrou disso.
Linha de pensamento passado me irrita. Retrô é uma coisa que pode ficar bem em certas roupas, mas não em comportamento, ou não em todos os comportamentos.

O que eu quero dizer com tudo isso, afinal?
Quero dizer que as pessoas que acham chato encontrar um "ex-qualquer coisa", quando se está ou tem um "atual qualquer coisa", das duas, uma:

- Você é trouxa ou é malresolvido!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Dona "de" casa, dona "da" casa.

Se preocupar com o fato de não saber cozinhar... não sabia cozinhar, mas não via problema nisso.
Não morreria de fome, mas a comida que fazia não era uma delícia.
Não que não pudesse comer, mas se fosse escolher... preferia fazer um lanche.
Não via graça nenhuma em cozinhar. Também não achava a pior coisa do mundo, mas não era a sua cara falar: "Oba, vamos cozinhar, que delícia", como quem fala: "Oba, vamos à sorveteria, que delícia".
Entendia que poderia ser legal para algumas pessoas e até conhecia várias pessoas que adoravam cozinhar... mas continuaria legal para essas "algumas e várias" pessoas.
Se existia comidas prontas e pessoas cujo trabalho é cozinhar para outras pessoas, isso deveria ser utilizado.
Afinal, o que seria das empresas de comidas congeladas? Dos funcionários dessas empresas? E dos cozinheiros? Fazer uso dessas ferramentas era gerar empregos e pessoas felizes com suas profissões. Fazer a economia prosperar.

Era nisso que pensava, enquanto fazia as compras. Estava até rindo sozinha por esse debate de uma pessoa só, promovido na própria cabeça.
Continuou sorrindo ao sair do mercado, ao entrar no carro e falar "vamos" ao motorista, ao entrar no prédio em que morava, enquanto o elevador subia, ao abrir a porta de casa e ao dar o alegre e sorridente "cheguei" à sua "equipe", como gostava de chamar as pessoas que trabalhavam em sua casa, fazendo os serviços de casa que ela não podia, não sabia e não gostava de fazer.

Não eram meras cozinheiras, faxineiras, lavadeiras, motoristas e outros -eiras ou -istas equivalentes. Se uma empresa tem uma equipe de funcionários que presta serviço à empresa, uma casa também tem uma equipe de funcionários que presta serviço à casa, portanto, eles eram parte de sua equipe. E uma ótima equipe.

Deu um beijo em cada uma das duas mulheres que se encontravam na cozinha, ocupadas com o jantar, e foi direto para o banheiro, tomar um relaxante banho (mas não de banheira, que hoje não era o dia).
O cheiro bom de comida corria pela casa. E ela ria e agradecia por não ser a responsável pelas atividades da casa, e pela excelente equipe de funcionários que tinha para cuidar da casa.
Ria e agradecia, enquanto sua única responsabilidade naquele momento, era tomar um agradável e perfumado banho. O jantar já estava quase pronto. Não tinha que se preocupar com isso, nem com demais atividades ditas domésticas.
Não era, nem queria ser uma boa dona de casa. Mas era, certamente, uma excelente dona "da" casa!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Viva-se!

Eu estou certa, você errado. Pode ser que sim, pode ser que não.
E quando você tem tanta certeza de que está certa(o), que tudo o que for de resto, tudo o que não for você, parece ridículo. E você quer mandar o mundo calar a boca porque o mundo inteiro está errado. Você está certa(o).
E enquanto as pessoas correm para pagar suas contas, você corre para ficar longe delas. Das contas? Não, essas você paga e pronto. Elas não incomodam ninguém. Preocupam um pouco, é certo, mas depois que você pagou, nem lembra mais delas, até o próximo mês. Mas isso dá uns dias de folga sem preocupações.
Você corre para ficar longe das pessoas, essas sim, essas incomodam.

Opinião é um traço de personalidade. Você gosta de uma coisa e para você, aquilo é bom. Mas do outro lado da rua, tem alguém que você não conhece, mas que acha um lixo, aquilo que você acha tão bom.
Sinto o cheiro do bife que estão fritando na cozinha. Não é um cheiro ruim, mas não classificaria como bom.
Fritar bife é uma coisa que detesto, porque suja muito o fogão. É possível que eu não coma bife só para não ter que limpar o fogão. Já a minha irmã, diz que a vontade dela de comer bife é sempre maior do que a preguiça de limpar o fogão.

Eu gosto de refrigerante sem gás. Lembro que eu gostava dos restos de refrigerante, mas não sabia que era porque não tinham mais gás. Uma amiga da minha irmã me ensinou a bater o refrigerante com um garfo, para tirar o gás. E depois, bem depois, comendo yakissoba e com preguiça de levantar para pegar um garfo, resolvi improvisar com o hashi de madeira que veio junto com o yakissoba. Uma única batida no fundo do copo e o refrigerante transbordou e caiu no meu macarrão. Não ficou muito bom, mas foi a melhor descoberta para quem não gosta do gás do refrigerante. E então, passei a guardar os hashis. Tem que ser de madeira, aqueles com acabamento esmaltado não funcionam muito bem. Vai ver é porque eles não foram feitos para isso.
Mas os meus amigos diziam que a coca-cola era capaz de me processar por estragar a trabalheira que eles tiveram em descobrir a dosagem certa do gás que vai no refrigerante.
E não sei porque me mandam tomar xarope, como se xarope tivesse o gosto igual e ainda gelado. Eu já tomei xarope e posso dizer com certeza que não tem o mesmo gosto de refrigerante sem gás.

Gosto mais da massa do pastel do que do recheio. Uma vez, minha irmã fez pastel e fritou toda a borda da massa, que sobrou e que em outra casa, seria jogada fora. Comi feliz da vida!

Aprendi a gostar de pão de queijo e estrogonofe. Não gostava de nada salgado que tivesse creme de leite. Pão de queijo tinha cheiro de azedo. Sei lá quando aprendi a gostar.

As pessoas mudam. Algumas não, é verdade. O que é bom ou não, dependendo de que lado da mudança você está. Mas estamos sempre certos. Quando erramos, quando acertamos. Isso também é bom ou não, dependendo de que lado da sua sanidade você está.
O mundo é grande, temos muitos amigos, fazemos amigos sem sair de casa. Mas na verdade, é cada um para si e Deus... Deus não entra na jogada.
Resolva seus problemas, cuide de seu jardim, faça suas mudanças. Pare de jogar tudo nas costas de Deus(a).
Jogue um pouco de gratidão nas costas de Deus(a), também, só para variar um pouco. Ele(a) agradece.
Pare de jogar a culpa nos outros. A vida é sua, se "Viva"!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Passe amanhã e deixe um recado, só não espere resposta.

Festa estranha com gente esquisita não é só música da Legião Urbana. E também deveria ser "mundo estranho com gente esquisita". A gente se depara com muita gente estranha em muita festa esquisita e vice-versa.

Os legais e os que se acham legais.
Os bonitos e os que se acham bonitos.
Os inteligentes e os que se acham inteligentes.
Os que são tudo isso junto e os que se acham tudo isso junto.

E esses últimos são os piores.
Você até pode aguentar um bocó que se acha uma coisa ou outra. E sinceramente, todo mundo se acha uma coisa ou outra.
E sinceramente, de novo, muita gente é uma coisa ou outra de verdade. E todo mundo tem amigos legais de verdade, bonitos de verdade, inteligentes de verdade e tudo isso junto, de verdade.

E de verdade (para não falar sinceramente de novo), legal, bonito e inteligente é relativo.

1° - Me pergunto se fulana de tal tem amigos porque... meu, como ela é chata! Todo mundo conhece alguém que é um porre e conhece um grupinho que quer se manter longe de fulana. Ser legal vai além de ser simpático. Ser legal não é ser simpático.
2° - Nem vou falar sobre quem acho bonito ou feio, mas cara de bebê não me apetece. Boca grande e olhos claros, também não! Ser bonito vai além de ser malhado. Ser bonito não é não ser feio (e feio pra quem?).
3° - O que é uma pessoa inteligente? É quem decorou a tabuada do 7, 8 e 9? Fodeu! Ser inteligente vai além da escola (mas eu posso cantar Faroeste Caboclo inteira, se você quiser).

As pessoas falam sobre ler bons livros e ouvir boa música, mas o "boa" aí está de acordo com quem? Quem decide o que é bom e o que não é?
Eu sou a favor da leitura dos Imortais nas escolas, mas sou contra qualquer obrigação que eu (ou qualquer um) tenha de gostar de Machado de Assis e companhia. E posso dizer, com certeza, que há bastante preconceito em relação aos livros que lemos na escola, principalmente dos Imortais. Porque você já ouviu falar tão mal deles e já ouviu tanta gente desabafando e falando que o tal do Dom Casmurro (ou seja lá qual for) é um saco (e considerando gente nervosa e sob pressão porque, com certeza, teve que ler o livro pra fazer uma prova), que você já não aguenta mais ouvir o nome do livro, sem nem mesmo ter aberto o bendito.
E muita gente se acostuma com isso. Não viu, não conhece, nem sabe quem é, mas não gosta porque um monte de gente diz que é ruim. E gosta porque um monte de gente diz que é bom.

E aí porque o fodão das críticas, ainda vivo, diz que o Stephen King, não sei o que, e não sei o que mais acabou com não sei o que lá (que é tão importante para mim que nem lembro mais o que era), eu tenho que parar de gostar dele e falar "Puxa, é mesmo, Stephen King é uma droga"? Ou porque alguém falou que o Machado é bom, e mesmo que você não tenha lido nada dele, você deve sair por aí falando maravilhas dele?
Ah vai... vai encher!

Gente bonita é quem a gente acha bonita. Gente legal é quem a gente gosta de ficar perto. Gente inteligente é quem fala quando deve falar e fica quieto quando deve ficar. E tudo isso junto pode ser eu, você ou qualquer outra pessoa. Está cheio delas por aí e a maioria está fora dos holofotes.
Mande à merda quando tiver que mandar, vá à merda quando tiver que ir. As pessoas são diferentes e cada cabeça, uma sentença. Mas como pessoa física, somos os mesmos seres limitados que nasceram e um dia vão morrer, sem exceção.
Aqui embaixo do céu, ninguém é melhor do que ninguém, de forma geral. Tudo é relativo e muda de pessoa para pessoa, o tempo todo. A única constante que existe é que estamos constantemente em mudança. Vivemos em um eterno momento de reformas e somos uma obra diferente a cada dia. E nenhuma vale mais do que a outra. Portanto, não importa se alguém pós-graduado, condecorado e premiado na Universidade do Fim do Mundo de Deus acha isso ou aquilo. Na minha vida, quem tem que achar alguma coisa sou eu!
Ninguém e absolutamente ninguém, pode ditar o que eu devo ou não gostar, o que é certo ou não gostar.

E para quem acha que pode ditar o certo ou errado na vida dos outros: Passe amanhã e deixe um recado, só não espere resposta.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Nem aí, nem aqui e nem em lugar algum.

Tem gente que adora falar sobre os problemas, as doenças, as tragédias.
Se algo está bom é irreal.
Se algo está ruim é normal.

As pessoas são infelizes por  natureza, gostam de uma depressão e gostam do "dark side".
Tem gente que merece o "Horário de Pico" e até se perdem sem ele. Não sabem o que fazer sem o mal humor das seis horas da tarde, as buzinas descontroladas e o calor humano da multidão apressada e sem tempo no entra e sai de um metrô qualquer.

Se alguém fala uma coisa boa é porque sonha demais.
Se alguém fala uma coisa ruim é porque é pessimista.
Mas todo mundo quer ser bem tratado, estar rodeado de pessoas legais e educadas (e que, de preferência, te deem a preferência), receber a maior fatia do bolo. Mas ninguém quer se esforçar para isso.
Todo mundo quer ser como é e se orgulham disso. Os outros que mudem se quiserem, eu não mudarei meu jeito.

Tem gente que adora reclamar e falar mal dos outros. Gostam de mostrar como são bons, inteligentes e sábios. E o resto é o resto, são meros expectadores.
Não pense que você é a última bolacha do pacote porque elas também quebram e amolecem (o legal mesmo é ser a bolacha do meio).
Defender suas ideias não significa atacar outras.
Você tem todo o direito de gostar ou não gostar das coisas, mas antes você tem o dever de respeitar e a obrigação de entender que os outros tem o mesmo direito que você de, também, gostar ou não das coisas.

Quem se acha muito bom e cheio de razão só fica com um pacote vazio.
E no final, a tal da lei da atração está certa.
Gente que se acha superior aos outros, estão sempre rodeados de pessoas que também se acham ou querem ser e, principalmente, querem que os outros achem.
Quem é, de verdade, não está nem aí para o que possam pensar dela, porque a própria opinião já basta.
Se concorda, que bom.
Se discorda, não precisa atacar ninguém.
Você pode e deve dar suas opiniões, mas não tem o direito de impor aos outros e exigir que pensem como você.
Os outros podem ser daquele seleto grupo de pessoas que não estão nem aí. E enquanto você está empenhado em mostrar sua superioridade e sua razão, eles não estão nem aí para você. Nem aí, nem aqui e nem em lugar algum. Lamento, mas eles nem lembram que você existe.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Tudo pelas batatas. Mas tudo, mesmo!

Publicado no "Os 3 de Esparta" em 19 de Agosto de 2010.


Caminhando e ouvindo os sons do trânsito.

Para na banca de jornal, compra um guia básico da nova ortografia, porque ele não sabia nem da velha, vamos tentar com a nova (e isso se aplica a mulheres, também).
Sentiu um cheiro suspeito, disfarçadamente limpa os pés no tapete da banca.
Chegou em casa. A mãe estava no trabalho, o pai viajando, o irmão mais velho no hospital. Nada sério. Uma retirada de pedras nos rins, ou parece que tiram o rim todo, ou talvez, o que tiram é a vesícula, quando as pedras são lá, sei lá.
Mas o importante é o que importa e o que importa é que ele estava sozinho em casa, e sendo assim, poderia comer o último pacote de batatas sem ter que dividir.
Mas o telefone tocou. Era o irmão mais velho, já de alta do hospital, precisando de alguém que fosse buscá-lo.

- “Ok, batatas, depois a gente se vê”.

Ou não. Porque no exato minuto que ele virou a terceira esquina depois da padaria do primo daquele seu vizinho de cima, o andar todo explodiu.

BOOM!

Aquele seu vizinho mané, do apartamento ao lado, achou que não teria problema deixar o problema do vazamento de gás para depois.
Quando ele voltou, os dois apartamentos do andar onde moravam estavam em chamas.
Colocou as mãos nos bolsos e pensou:

- “Tudo bem, o apartamento e a mobília, o seguro cobre. Mas aquele pacote de batatas… era o último pacote de batatas”.

Já que as batatas foram por água abaixo, ou melhor, por fogo, foi para o hotel mais perto e mais barato, ler o guia sobre atualização ortográfica. Estava certo de que este seria um diferencial no debate daquela noite, dos candidatos a síndico do prédio. Este seria o primeiro passo a ser dado no que prometia ser uma promissora carreira política. Dali, poderia seguir como prefeito, governador, quem sabe até, presidente.
Mas não conseguia parar de pensar nas batatas perdidas.

Cada um com suas prioridades. Cada um com suas batatas.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Era um cortiço!, Cora Coralina e outras histórias.

Regina Pessoa e Rubia Konstantyni, da "Cia Sábias Cenas". 
Dias 2 e 9 de outubro, a "Cia Sábias Cenas" apresentou no Sesc Ipiranga, o projeto "Histórias e Memórias", em comemoração ao "Dia Internacional do Idoso".
Na área de convivência do Sesc Ipiranga, a apresentação da "Cia Sábias Cenas" misturava fatos reais de moradores da cidade, memórias das pessoas que assistiam a apresentação e poesias de "Cora Coralina".
Entre as histórias, estava "Era um cortiço!", que pode ser lido neste mesmo blog e trata-se de uma história real. Tão real como dizer que a "Cinemateca" já foi o "Matadouro Municipal".
Você sabia disso? Eu só soube disso pela história que a "Cia Sábias Cenas" contou.    
Eu (como não era de se esperar), chorei. Minhas fotos também são de chorar, mas não pelo mesmo motivo da apresentação, que foi ESPETACULAR!
Regina Pessoa fala sobre a "Cinemateca", antigo "Matadouro Municipal".
Rubia Konstantyni fala sobre "O Cortiço", uma história real.
Antes, um matadouro. Hoje, a Cinemateca.
Ele se lembra da primeira namorada, "Era muito bonita".
Ele se lembra dos tempos de guerra, "Eram tempos difíceis".
Heróis não estão só nos quadrinhos.
E a chuva deu espaço ao Sol.
 A "Cia Sábias Cenas" é uma companhia de teatro criada em 2005 pelas atrizes Regina Pessoa e Rubia Konstantyni. No seu repertório, a Cia Sábias Cenas possui um espetáculo, diversas contações de histórias e projetos especiais. As atrizes se dedicam ainda a criar e produzir histórias e espetáculos customizados, conforme a necessidade de seus clientes.
Fonte: "Cia Sábias Cenas"

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Aborto: nem contra, nem a favor.

Publicado no blog "Os 3 de Esparta" em 2 de outubro de 2010.


O que se discute nesse caso não é bem o direito que a mulher tem ou não tem sobre o próprio corpo, mas o direito que ela deve ter sobre o corpo que não é dela, mas que está dentro dela.
Não defendo, nem julgo quem é a favor ou contra, mas considero algumas informações adicionais.

É justo uma mulher violentada ter um filho que não quis e que pode não ter condições físicas ou psicológicas de criar? A criança não tem culpa, mas e a mãe? Também não tem.
É justo uma mãe levar uma gravidez adiante, sabendo que ela corre riscos? É justo a mãe morrer e a criança já nascer órfã?
É justo uma mãe levar uma gravidez adiante, sabendo que a criança tem problemas e que não poderá levar uma vida normal? E por “normal”, não se trata de uma criança cega, surda ou muda, mas alguém que poderá passar a vida em estado vegetativo.
É justo uma criança virar mãe? Sendo que a maioria dessas crianças são violentadas e não tem ideia do que está acontecendo.

Por isso, sou a favor do aborto!

Mas, é justo uma pessoa ser morta, ou impedida de nascer porque os pais (sim, os dois, o casal, porque a criança não foi feita sozinha), não se preveniram, não tomaram os cuidados necessários, não fizeram o que deveriam fazer para evitar a gravidez?
É justo uma pessoa que nem nasceu pagar pela irresponsabilidade de outras duas pessoas, sendo que em muitos desses casos, essas duas pessoas são bem informadas e tem recursos para evitar a gravidez?
É justo matar quem ainda não nasceu porque faltou raciocínio e maturidade na hora de transar? Porque o tesão era tanto que foi como foi e foda-se o resto, mesmo que o resto seja uma pessoa que pode nascer dessa falta de raciocínio, maturidade e responsabilidade.

Por isso, sou contra o aborto!

E apesar dos prós e contras, há outros fatos a serem considerados, também.
A camisinha que estourou, o anticoncepcional que não funcionou, a falta de informação que, muitas vezes, é culpa dos pais, sim. Infelizmente, há pais que, por burrice, ignorância ou por proteção exagerada, não conversam com seus filhos e nem deixam seus filhos conversarem. Não ensinam, nem deixam que eles aprendam. E por isso, muitos acabam fazendo escondido, seja lá o que fizerem.
E há também, aqueles filhos que não tem pais, não tem família, não tem ninguém próximo ou com intimidade suficiente para conversar, muito menos, “cara” de chegar em alguém para conversar. E isso é bastante compreensível.

Por isso, não sou contra, nem a favor do aborto.

E por tudo isso, além do que está fora do meu conhecimento sobre esse assunto, é que o aborto deve ser analisado, não como causa (porque não é), mas como a consequência, porque alguma coisa aconteceu para que tivesse que ser feito um aborto. Ele não existe por si só, de forma isolada, por nada. Há uma situação na qual ele está envolvido, e é essa situação que deve ser analisada antes de baterem o martelo em ser contra ou a favor do aborto.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Horário de pico


Do alto, olhava a cidade lá embaixo.
Eram quase seis horas da tarde, o céu já estava escuro, os ônibus passavam cada vez mais cheios, as ruas estavam cada vez mais tumultuadas, o metrô... impossível entrar ou sair. O famoso e temido "horário de pico" se aproximava.

No livro "1984", havia a "hora do ódio". Em São Paulo, havia o horário de pico. Hora em que as pessoas evitavam sair na rua, pegar o ônibus, sair do trabalho, sair da escola, da academia, do curso e "Deus me livre", pegar o metrô.
Olhava tudo de lá de cima. Não precisava mais se preocupar com rua, ônibus, sair do trabalho, da escola, da academia, do curso, e graças a Deus, do metrô.

Nem sempre foi assim. Já passou por essa "provação". Já saiu muito mais cedo do que seu horário normal, para evitar o aterrorizante horário de pico. Já rezou ao sair do trabalho, para que, pelo menos chegasse segura em casa, mesmo que tivesse que esperar uma ou duas horas até conseguir entrar em um trem, ônibus ou o que fosse. Já vibrou a cada vagão vazio que chegava na estação Sé. Alegria de pobre é ver o vagão chegando vazio na estação Sé. E muitas pessoas devem estar rindo ao ler isso porque sabem que é verdade.

Mas no meio do aperto ainda há um alívio. Cansou daquilo que chamava vida. Se até no meio dos vagões lotados da Sé, em pleno horário de pico, ainda há um vagão que vem vazio, então o resto também se resolve.
Não desistir, não deixar de ouvir e de se fazer ouvir, não se calar (exceto nos casos em que calar a boca é fundamental e até saudável), não deixar de querer, de se arriscar, e quando necessário, ignorar.
Partiu para o tudo ou nada, com direção ao tudo. Arriscou, quis, ignorou, quis!
Faz parte das escolhas que fazemos na vida, ouvir ou não ouvir. Aceitar ou não aceitar.
Com pessoas, a mesma coisa. Há pessoas que temos que escolher se elas ficam ou saem da nossa vida.
Jogou o passado fora, ficou com o presente e se guardou para o futuro.
Essa não é uma história de moral, nem de lições, nem de nada. Cada um que a veja como quiser e como puder.
Tem coisas que só a gente para saber e para entender. Cada um sabe da sua vida, das suas vitórias e das suas derrotas. Cada um que escreva sua história com os personagens que escolher. Mas sempre, escolher.
Sempre escolher, melhorar, continuar, mudar e apagar o que tiver que ser apagado. Reescrever sua história quando for preciso e nunca deixar terminar.

Quando chegava essa hora... o famoso e enervante horário de pico, não se preocupava com mais nada.
Apenas olhava, imperturbável, a cidade lá embaixo. E agradecia por estar lá em cima.
E abençoava a cidade lá embaixo.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Povo tem o governo que merece!


Tiririca, o palhaço da "Florentina", não sabe o que um deputado faz, mas usa isso como argumento para pedir votos. Cameron Brasil usa uma roupa cafona provocante, em um fundo pior ainda um tanto quanto estranho e pede para votar com prazer, enfatizando o final de seu número "69", Mulher Pera diz que não sabe só rebolar e quando for para Brasília, o bicho vai pegar. Essas e outras aberrações, este ano, também são candidatos a deputados

Particularmente, nada tenho contra essas pessoas e acho que qualquer um que tenha propósitos válidos, tem todo o direito de se candidatar, mas o que elas acham que uma eleição significa? Teatro? Cheio de personagens?

Ainda tem, como em todos os anos, os "candidatos de Deus". Mara Maravilha pede o seu voto para o esposo dela, "e servo de Deus". Em uma eleição anterior, o marido fazia sua propaganda e a mulher finalizava com "não negue seu voto a quem serve o mesmo Deus que você".
Essa apelação sempre teve, mas talvez, as pessoas já estejam acostumadas com isso, até porque, tem o Partido Cristão, também. Da minha parte, não me importa se o candidato é de Deus ou não, desde que ele cumpra o papel que escolheu servir, de cara limpa, e não como personagem que lhe rendeu um lugar na mídia.
E por falar em sempre teve, sempre tivemos, também, os candidatos "Pais e filhos", quando os filhos aparecem para pedir voto para os pais, ou para os amigos e confiáveis dos pais, como a filha do Quércia diz: "Se você sempre acreditou no meu pai, vote em quem meu pai sempre acreditou".

Antes, eu achava o horário eleitoral, um saco. Hoje, lamento dizer que me divirto.
O negócio virou um picadeiro, com direito a piadas sem graça. Antes, as pessoas criavam personagens e uma vez ou outra, traziam os personagens para a vida real. Hoje, a história do Pinóquio evoluiu, são os personagens que querem ser gente de verdade.
Antes eu pedia por um mundo melhor, hoje eu peço por um mundo razoavelmente decente.
E o  pior não é ver toda essa comédia no lugar errado, o pior é saber que os comediantes podem ganhar.
E como diria uma amiga minha: "Virou Brasil".

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

As Moças da Rua do Carmo


Moças bonitas, alegres e discretas.
Um pouco mais do que hoje, pelo que eu soube.
Nem todo mundo gosta das Moças da Rua do Carmo.
Talvez, até, nem eu e nem você.

Porque elas são alegres, aos olhos dos outros.
Bonitas, para quem vê.
Simpáticas, para quem pode.
Mas não do tipo que você gostaria perto de suas filhas.

Por onde andarão as Moças da Rua do Carmo.
Algumas já não existem mais.
Outras, estão para deixar de existir.
Futuras Moças, talvez estejam por vir.

Alguém me disse:
"As daquela época, não são como as de hoje. Elas eram finas, elegantes, tinham classe".
E eu pensei:
"Pobres moças que não foram, não são e jamais serão como as Damas da Rua do Carmo".

Imagem da Rua do Carmo. A Igreja da Boa Morte e, ao lado, o casarão que inspirou a história "Era um cortiço!"



segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O que você fez?

Não queria se apegar a nada e nem a ninguém.
Não queria um animal de estimação porque sabia que iria sofrer quando o animal morresse.
Não queria se envolver com ninguém porque sabia que quando o relacionamento acabasse, iria sofrer.
Não queria ficar muito próximo dos amigos porque sabia que se não os visse com tanta frequência, sentiria saudade deles.
Não queria ficar muito feliz porque tinha medo de quando a felicidade acabasse. Medo de que pudesse ficar mais triste por ter provado da felicidade e depois não ter mais.
Não queria ganhar nada porque tinha medo de perder.
Não queria viver porque tinha medo de morrer.
Mas morreu. E a pergunta foi feita:

- O que você fez?

E ele não soube responder porque não tinha feito nada.
Não chorou, mas também não sorriu.
Não terminou um relacionamento, mas também não teve as alegrias de um.
Não perdeu os amigos, mas também não teve a companhia deles.
Não sofreu por ninguém, mas também... não teve ninguém.
Não teve uma vida, e mesmo assim perdeu.

Um dia, todos nós perderemos tudo. E se for assim, que a gente tenha primeiro, para depois perder.
Tenha uma vida, antes que ela termine.
E quando perguntarem: - O que você fez?
Poderá dizer:
- Eu chorei e ri muito. Eu vivi pra caramba! Fiz algumas besteiras, mas também fiz muitas coisas boas. Acreditei em quem devia e me ferrei por acreditar em quem não devia. Mas como eu ia saber? Posso ter me machucado muitas vezes, mas nada se compara às coisas boas que tive, aos bons amigos, às gargalhadas que dei, às reuniões com a família, à todas as coisas que me deixaram feliz. Eu vivi. E é pra isso que a gente nasce, para viver. Agora só falta morrer. E fecho com chave de ouro a minha listinha de tarefas.


"Você pode nunca ser ou ter um marido, você pode nunca ter ou segurar uma criança.
Você aprenderá a perder tudo. Somos arranjos temporários." (No Pressure Over Cappuccino, Alanis Morissette)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Revolta é para os fracos

Primeira visita à Las Vegas. Tudo bem, nunca teve saco para jogos, principalmente quando envolvem dinheiro.
Ir a um ou outro cassino não era problema. Não deixaria as calças lá, nem seria acompanhada até a porta.

1° jogo: menos 50 dólares.
2° jogo: menos 100 dólares.
3° jogo: menos 100 dólares.

O último, jurou que era o último. Mais duzentos dólares a menos.
Chega, outro lugar. Outro cassino? Mas que merda. Pelo menos esse tem coisas legais para comer, além das bebidas destiladas, com gosto de gasolina. Coisas para atrair os jovens jogadores.

1° jogo: menos 50 dólares.

São duas, as ocasiões em que você deve parar de jogar: Quando está perdendo e quando está ganhando.

Então esse é o último! 3.000 dólares a mais!
E essa é a hora em que você deve parar. E parou!
De volta ao hotel. Balancete patrimonial:

450 dólares a menos.
3.000 dólares a mais.

Era uma boa contabilidade. Ficou feliz com isso.
Comprou uns presentes para a família e mais alguns extras para uso pessoal.
Voltou com mil dos três mil que ganhou. Antes de desfazer as malas, viu se o dinheiro já estava na conta, antes de chegar em casa, já tinha passado no banco e depositado o dinheiro em sua conta, antes de passar no banco, já tinha passado na casa de câmbio e trocado os dólares. E já estava na conta.
Fez uma transferência com os mil dólares que sobraram. Não precisaria deles. Mandou para quem precisava.

Quem ganhava sempre dez mil dólares a mais por mês, todo mês, não precisava se preocupar com mil dólares ganhos, a menos.

E poderíamos dizer que ela era uma menina rica, de boa família, boas escolas e boas várias outras coisas, que tinha tudo o que queria e que trocou tudo para se afundar em sexo e drogas, e terminou a vida se prostituindo por qualquer carreira de cocaína.
Mas essas histórias já existem aos montes. E muitas delas são inventadas por quem quer a adrenalina ilusória, mas não a realidade fatal de uma vida dessas.

Poderíamos dizer que ela trocou o conforto do lar e o dinheiro do papai por uma vida promíscua porque precisava se encontrar e foi em busca de sua felicidade.
Poderíamos dizer muitas outras dessas histórias boçais, mas não. O estilo "pobre menina rica" não lhe cabia.
Deixaremos essas para quem, como dizem, quer causar.

Ela não queria e nem precisava. Veio de boa família e continuaria em boa família. Sabia dar valor ao que tinha, ao que tinha ganhado da família e ao que ganhou por mérito próprio. Jamais jogaria tudo fora com essa frase de efeito de "Preciso me encontrar". Isso é para os fracos.
Ela sabia o que queria e sabia o que tinha. E fez bom proveito!

Mil dólares a menos era como fazer uma compra de quatro reais, dar uma nota de cinco e deixar o troco para o caixa.
A questão não é nem "Quem pode", mas "Quem sabe", "Quem faz" e "Quem agradece".

Reclamar, se revoltar, bancar a vítima, causar... vá se encontrar na merda, mas vá sozinho. Nem todo mundo gosta do papel de vítima. Há quem prefira o papel do bem sucedido.

sábado, 28 de agosto de 2010

"Sem Pingo, sem i"

No meio da semana eu estava fazendo uma versão final de uma coisa que escrevi sobre gente que não quer ter porque já tem medo da hora em que não tiver mais, medo de sofrer, medo de doer. Mas tive um imprevisto nesse fim de semana (27/08/10). Um imprevisto, levemente e dolorosamente previsto. Perdi, sofri, doeu, continua doendo. E eu não pude falar de outra coisa senão do "i" que falta no meu Pingo. Um Pingo com letra maiúscula.
Agradeço por ter tido 2 anos e 5 meses desses seus 13 anos. O tempo do meu namoro com o Doug. Te conheci no dia em que começamos a namorar.
Vi você me receber na porta, você me deixou te pegar no colo e até gostou porque quando eu abaixava para pegar, você até fazia aquele impulso com os pés. Sim, com os pés, com os seus pés de cachorro.
Vi você na cozinha, atrás da gente, para ver se ganhava alguma coisa. Eu sempre relutei um pouco em dar qualquer coisa que não fosse politicamente correta, mas algumas vezes a política correta falhava.
Vi você brincar de estátua, esconde-esconde, e era para você me devolver a bolinha e eu jogar de novo e não você pegar a bolinha e não deixar ninguém mais chegar perto.
Vi você se esconder atrás de mim para não tomar banho, mas eu sinto muito Tchutchuquinho, não podia te ajudar nessa hora.
Vi você avisar a gente quando alguém chegava ou quando tinha qualquer barulho estranho, ou movimento suspeito.
Vi você na sala com a gente, às vezes, até caindo de sono, baixando a cabecinha e quase dormindo em pé, mas você não ia para o seu cantinho, enquanto a gente ainda estivesse acordado.
Vi você ser a coisa mais linda do mundo, deitado entre a sala e a cozinha, com as patinhas apoiadas naquele semidegrau que separa a sala da cozinha. E dormir sentado porque você estava com sono, mas não saía dali enquanto a gente não saísse também. Parecia pai e mãe, que não vai dormir enquanto o filho não chega em casa.
Mas agora é estranho passar pela cozinha e não te ver no seu cantinho.
Estranho ir para o banheiro e no caminho não falar "Tchutchuquinho". 
Estranho chegar e não ir no quintal falar com você.
Estranho estar no computador e você não aparecer lambendo a minha mão e apoiando a cabeça no meu colo.
Estranho olhar pela janela e não te ver mais tomando sol. De manhã, eu olhei pela janela, como sempre fiz, para falar "Tchutchuquinho". Mas você não estava mais lá. Não tem mais Pingo. 
E mais estranho ainda, sentar na sala e não ver as patinhas brancas apoiadas no semidegrau.
Infelizmente (ou não, porque apesar de doer, não me arrependo e ainda agradeço), você não é o primeiro e não será o último amiguinho de quem eu tenho que me despedir, de quem vi e verei o último segundo aqui. De quem posso dizer: "Ficamos com você até o fim, mesmo". E você não foi antes, esperou todo mundo chegar para ir embora. Levantou a cabecinha, olhou pela última vez... e foi.
 Você não é o primeiro e não será o último amiguinho, nem mesmo, o primeiro Pingo no "i" da minha vida.
Mas será sempre um único na minha vida. Para mim, o "Meu Tchuchuquinho", para o Doug, o "Branco do pai". Mas sempre, o nosso Pingo, para sempre!
Uma vez li numa mensagem: "Saudade é o amor que fica".
E assim, a gente fica...
E indo da casa do Namorado para casa, fui te procurar para dar tchau, como sempre fiz, mas você não estava mais lá. Chorei escondida no banheiro... e fui embora.
Sempre estará aqui comigo.
"Eu: Pingo sem i". (Frase da música "Pingo sem i", de Galldino OctOpus)  

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Muitas bolachinhas, um só pacote.

O grupo se assustou. Precisava gritar desse jeito?
Eles já estavam acostumados aos gritos da chefe, mas era sempre uma surpresa cada vez que ela vinha dar algum recado, porque era sempre um escândalo.
Não sabia falar em tom normal e achava que para dar avisos ou repreender funcionários, tinha que berrar e dar escândalos.
Achava que essa era a melhor forma de obter o respeito, o bom trabalho e até mesmo, o profissionalismo dos funcionários. Dando escândalos. O grupo até se preocupava, achava que qualquer dia poderia cair dura, com um ataque cardíaco.
Uma vez, o responsável do outro setor veio falar com o grupo.

- "Eu ouvi a bronca que vocês tomaram no outro dia. Não era para ser assim, era para ser só um aviso".

E foi assim que ela ficou conhecida. Na sua empresa e também nas empresas vizinhas. Pelos seus funcionários e pelos funcionários ao redor.
Pelo seu mau humor, pela sua grosseria, pela sua paranóia.

Não sabia falar, só gritar.
Não sabia ensinar o serviço, só falar em voz alta para ela mesma e querer que a outra pessoa tenha aprendido o que ela fez, sem mostrar ou dizer exatamente o que fez.
Não sabia atender um pedido de trabalho de outro funcionário, porque estava ocupada resolvendo um assunto em um de seus inúmeros perfis em sites de relacionamento, que passavam o dia inteiro abertos em seu computador. Além do MSN, é claro.
Não sabia responder as perguntas ou falar em tom normal, só sendo grossa, o que era sua característica marcante.
Não sabia falar o que podia ou não fazer dentro da empresa, só sabia berrar o que não era para ser feito, depois que já tivessem feito sem saber.
Não gostava que ninguém desse trabalho para seus funcionários, mas também, não dava nenhum trabalho para eles fazerem.
Nunca se deu ao trabalho de falar o que poderia ser feito ou não na empresa. Os funcionários inventavam passatempos para as horas em que não tinham trabalho para fazer. E isso acontecia muitas vezes, durante muitos dias consecutivos. E acabou que não podiam fazer nada. Só ficar olhando um para a cara do outro, um para o monitor do outro, porque não podiam fazer nada naquelas horas que ficavam sem fazer nada. E eram muitas horas em muitos dias.
A simpatia não passava trabalho, não gostava que ninguém passasse trabalho e dava escândalos quando os funcionários inventavam alguma coisa para fazer nessa ausência de trabalho.

A verdade foi descoberta pouco tempo depois. Que triste!
Descobriram o porquê de tanto mau humor, tanta grosseria, tanto desequilíbrio mental e emocional.
Era falta de açúcar no sangue. Excesso de açúcar e gordura no cérebro.
Pobrezinha, era uma paranóica. Com mania de dietas, viciada em shakes e produtos light. E achava que assim levava uma vida saudável.
Pura ilusão de uma mente paranóica.
Ao invés de uma aparência saudável, mostrava uma cara amarela, de quem parecia ter anemia há bastante tempo. Olheiras fundas, diárias, de quem passou noites em claro.
A falta de, quem sabe, batatas fritas, lanches, pizzas e algum doce no organismo, fez com que produzisse os hormônios da "paranóia-light-adquirida", uma doença grave em que o paciente se acha muito bom, mas que não passa de um bocó paranóico, sem perfil para liderar uma equipe, sem noção do que um chefe pode, deve ou não, fazer ou falar. E que no anseio de ser uma pessoa bonita, saudável e bem sucedida, se torna uma pessoa tosca, doente, feia e mal vista pelas pessoas ao seu redor.
O tratamento existe, mas raramente essas pessoas doentes aceitam a realidade de sua situação.
Faça um lanche, coma um docinho, aprenda a falar com as pessoas e saiba de uma coisa:

Você é só mais uma bolachinha nesse imenso pacote em que vivemos.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Era um cortiço!


A porta do casarão era pesada e parecia de ferro.
Era um cortiço! Desses que cada família ocupa um quarto e o banheiro é compartilhado.
Eles moravam do lado esquerdo. Esquerdo, como o lado que o filho menor escreve.


Eram três: a mãe, a filha mais velha e o filho menor (o que escrevia com a mão esquerda).
Tinha mais um filho, mas daremos este como emancipado.
Era um casarão bonito. E ainda é... para quem sabe ver.

 

Ainda está lá, na Rua do Carmo, N°198, na Sé, ao lado da Igreja Nossa Senhora da Boa Morte (igrejas podem ter nomes tão estranhos). Rua que já abrigou belas damas, bonitas e alegres (aos olhos de quem vê), mas não do tipo que você gostaria perto de suas filhas. Talvez ainda estejam lá, mas eu não vi nenhuma. Talvez, não sejam mais as mesmas damas de antes, da época do casarão. E talvez, isso me dê outra história. Por hora, voltemos ao casarão.
Dizem que foi construído em 1910, mas o tempo passa para todos... e para tudo também.
Eu só o conheci há um mês atrás, quando andava com meu pai por ali. Eu sempre soube que as condições nunca foram das mais favoráveis, mas eu nunca imaginei a própria condição.
Eu nunca morei numa casa dessas. Eu nunca precisei. Eu nunca tive tudo o que eu queria, mas nunca me faltou nada.
Eu não via muito meu pai e minha mãe. Não porque eles não quisessem, mas porque tinham que trabalhar para sustentar a família.
Eu costumava ficar doente muitas vezes, e era muito ruim. Mas o bom disso é que eu via minha mãe mais vezes.
Eu tinha medo do escuro porque eu via um monte de coisas que eu não entendia bem o que era e não queria entender porque eu tinha medo. E meu pai deixava a luz do corredor acesa para mim.
Eu tomava um monte de injeções e não sabia porque eu chorava tanto, mas eu sempre saía de lá com uma seringa para brincar e uma caixinha de lápis coloridos de chocolate.
Eu acordava no meio da noite e tinha vergonha de pedir para dormir com a minha mãe, mas quando ela acordava e me via andando no quarto, me chamava para deitar com ela.
As pessoas não podiam me entender. Não viam o que eu via. E não viam como eu. Mas todo mundo que morou comigo era da minha família.

 

Da família de três pessoas que morou ali, eu conheci as três. Mas nunca conheci esse casarão. Eles já moravam em outra casa quando os conheci.
A mãe deles sempre me dava dinheiro e me fazia camisolas. E na maioria das vezes, me chamava de "minha filha".
A filha mais velha me emprestava revistinhas e tinha tantos gatos e cachorros, que eu poderia passar horas com todos eles, e deve ser por isso que eu gosto tanto de animais.
E agora que eu pensei nisso, pode ser por isso, também, que o filho mais novo gosta de animais e também gosta de revistinhas. E foi ele quem me deu minhas primeiras revistinhas. Foi assim que eu aprendi a ler, eu era bem pequena. Ainda nem tinha entrado na escola, mas já sabia ler.
Do pai deles, eu não sei. Porque eu era "muito mais pequena" quando ele morreu. Mas sei que, na verdade, ele era o padrasto. O pai deles, mesmo, morreu quando o filho mais novo era pequeno.
Mas eu sei que o padrasto tinha um problema com bebida e, nas suas crises, jogava as panelas de comida na parede.
Triste, não? Eu não sei se ele morou no casarão, mas seria bem típico de família que mora em cortiço. O marido está bêbado e atira o que vê pela frente nas paredes.


Do casarão, eu não sei nada. Não sei qual a história dele e nem saberia, mesmo conhecendo essa família que morou nele. Nunca o teria visto, se não fosse o passeio que dei com meu pai naquele dia.
Não fosse por isso, nunca teria visto esse casarão e nem ouvido a história que ele me contou.
Tudo fala, basta sabermos ouvir.
E esse casarão falou comigo naquele dia.

  

Isso poderia assustar alguns, ele já não é mais a bela casa que certamente já foi. Hoje é só mais um casarão abandonado e, teoricamente, mal-assombrado.
E ele me falou que heróis também existem fora das revistinhas. E que alguns deles, saem de cortiços como ele.


Disse que o filho mais novo dessa família que morou aí, era um super-herói disfarçado, mas só duas pessoas sabem disso.
Como herói, ele atende pelos nomes de "Paizão", "Bob-Pai" e "Meu pai, meu pai, meu pai". Casou-se com uma, também, heroína, a "Poderosa Zux", e tiveram duas filhas.
E você pode achar que isso é uma brincadeira, mas não é. Nem a parte do Herói, nem a parte da "Poderosa Zux", e nem a parte das duas filhas.
Uma gosta de experimentos, a outra gosta de escrever.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Estatísticas


Uma entre dez pessoas estão satisfeitas com o que leem e com o que veem;
Dez entre onze pessoas sempre tem alguma crítica sobre o que leem e o que veem;
Onze entre doze pessoas sempre se colocam abaixo dos outros e acham certo os outros se colocarem abaixo de outros;
Doze entre treze pessoas acham que pessoas "famosas" (não confundir com artistas), são melhores ou diferentes do que o resto da humanidade;

EU? Eu tenho certeza que somos todos seres humanos, com necessidades financeiras, amorosas e principalmente, fisiológicas. Então, não se iluda!

* Todos nós nascemos e todos nós vamos morrer;
* A beleza é relativa;
* Os interesses são diferentes;
* Os homens não são todos iguais, as mulheres, muito menos;
* Dinheiro não compra felicidade, mas te ajuda a chegar lá;
* Você nunca estará imune aos erros;
* E uma vez que somos todos seres humanos, ninguém pode ser melhor do que você.

Falei!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Assim e assado!

Tem que ser assim, tem que ser assado.
A cobrança estética em cima da mulher... só sendo mulher para aguentar.
Tem que ter peitão, tem que ter bundão e tem que ter cinturinha de boneca.
Tem que ser perfeita aos moldes estéticos de... seja lá quem for que inventou que tem que ser assim.
Homens e mulheres aceitaram essas regras, que nem eles e elas sabem se gostam ou não. Mas, sempre pensando no próximo (pena que é da forma errada), todos aceitaram tudo.

Mulheres procurando cirurgias plásticas como quem procura o dentista.
Homens procurando mulheres como quem procura uma roupa bem passada. Sem dobra, sem qualquer coisa errada que seja, de acordo com os moldes da perfeição de sei lá quem.

Estrias, celulite, um quilo para lá, dois para cá. Se vira!
Se alguém apareceu sem, você também tem que estar sem.
Nem vem com esse negócio de genética, de estrutura genética, tendência, muito menos photoshop.

A verdade é que todos viemos do mesmo pó e vamos retornar ao mesmo pó. Mas a burrice paranóia, a mania q as pessoas tem de ser Maria vai com as outras a falta de personalidade, é maior. Acham que a atriz X ou o ator Y não são seres de carne e osso como vocês, meros mortais acima do peso.
Acham que pessoas famosas são perfeitas em tudo o que fazem, falam e são. Acham que eles estão certos e fazem tudo certo, nós é que somos errados e jamais seremos certos como eles, que são os mais bonitos, legais e melhores do que qualquer um que a gente conheça pessoalmente e que esteja ao nosso lado.
Cada vez mais, querem ser iguais aos outros e esquecem de quem são e do que querem de verdade.
Acreditam cegamente na televisão e nas revistas. Eles são perfeitos, nós, não!

Homens procuram bonecas.
Mulheres procuram ser bonecas.

Vocês querem perfeição? Eu digo o que é perfeito.
A morte é perfeita! Só o que é morto, inalterável e intocável é perfeito, do ponto de vista da perfeição que vocês procuram. Porque não vai a lugar algum, não evolui para lugar algum.
Uma pessoa, enquanto pessoa, enquanto carne, nunca será inalterável, está em constante mudança, a menos que esteja morto.

Ao invés de olhar para o que você não tem, preste atenção no que tem. E nem pense em dizer que você só será feliz quando tiver a mulher perfeita ou quando for a mulher perfeita porque quando você tiver ou for essa perfeição toda, vai ficar com tanto medo de perder, que não vai conseguir nem aproveitar. E vai soltar aquela "Eu era feliz e não sabia".
E quando algum amiguinho(a) falar que mudou de idéia e preferia o modelo antigo, você também vai mudar de idéia, só que infelizmente, aqui não é blog para apertar o botão do "Voltar ao modo clássico".
Não tem modo clássico, só tem o modo personalizado. E é isso que nos torna realmente perfeitos, o nosso modo personalizado de ser o que somos. Não tanto o que queremos, mas o que somos e como somos. Cada um ao seu modo.

Esqueça o que os outros acham, achariam ou vão achar.
Pare de querer o que você não tem e dê valor para o que você tem, antes que não tenha mais. E isso é para tudo o que você tem e todos os que você tem, também.
Recuperar o que você era, pode ser mais fácil do que recuperar o que você tinha. Cicatrizes podem ser disfarçadas, mas não removidas.
Preste atenção ao que você tem e em quem você tem, porque tem gente que tem NADA e NINGUÉM e dariam TUDO para estar no seu lugar.
Não espere perder para ver o valor do que e de quem você tinha, e de como você era feliz e até sabia, mas ignorava.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O tempo não para... e as pessoas também não.


Vencedor do concurso "Blog Sarau", na categoria "Crônicas", promovido pela Uninove - SP - Setembro/2010.

Uma vez eu fiquei com um menino, mas eu era muito medrosa para assumir que gostava dele.
Uma vez eu fiquei com um menino, mas eu queria mesmo, era ficar com outro.
Uma vez eu quis ficar com um menino, mas ele não quis ficar comigo.
Uma vez eu fiquei com um menino, e me diverti muito.
Uma vez eu fiquei com um menino, pensei até que queria namorar com ele, mas depois vi que me enganei.
Uma vez eu fiquei com um menino, namorei e pensei em casar e ter filhos.
Uma vez eu fiquei com um menino...

Uma vez...
Um menino...
Eu fiquei...
Tantas vezes... tantos meninos... eu fiquei.

Eu fico
Tu ficas
Ele fica
Nós ficamos
Vós ficais
Eles ficam
(Eu era boa em conjugação, mas isso não vem ao caso).

Sabe o que isso significa?
Que o tempo passa, as pessoas vivem, as ideias mudam. E jacaré é um bicho.
Relacionamento (namoro, casamento, caso, ficada, pau amigo, whatever) é uma coisa muito particular.
O que é certo para uns não é para outros, mas uma coisa deveria ser ensinada em uma cartilha para todas as pessoas do mundo: "O tempo não para".
E mais do que isso: "As pessoas não param no tempo".

Não perca seu tempo se preocupando com encontros ou desencontros inesperados. Não se desgaste com coisas do tipo:

- Ah, ele é meu ex-;
- Ah, mas eu posso encontrar com fulano e a gente teve um caso e blá-blá-blá;
- Ah, mas já pensou se eu estou com o X e aparece o Y?;
- Ah, mas eu posso encontrar fulano e agora eu estou casada(o);
- Ah, mas agora eu estou namorando e ficaria um clima chato.

E daí, ô bolachinha mais gostosa do pacote? Você acha que a outra pessoa passou o resto da vida pensando em você?
Qual o problema em você estar namorando e encontrar um ex-?
Você acha que a outra pessoa não saiu com mais ninguém além de você? Ou você está proibido(a) de ir a certos lugares porque corre o risco (nossa, e que risco) de encontrar um ex-?
Só você seguiu sua vida? A outra pessoa, não? Não!
Você seguiu sua vida, a outra pessoa também!
Não crie clima chato onde não tem clima chato. O chato aqui é você, que esqueceu que as outras pessoas também têm vida.
Não finja que você não viu nem evite um invariável encontro só porque "agora você namora ou está casado, ou o raio que o valha".
Acabou para você, acabou para a outra pessoa também. Da mesma forma que você seguiu seu caminho, a outra pessoa também seguiu o dela.
Cada um seguiu sua vida. E se agora você está "seja lá o que for que você estiver", a outra pessoa também está!
As pessoas não param no tempo... nem se elas quiserem.