Ovelhas Incandescentes

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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Um pouco de Clarice Lispector

Clarice Lispector nasceu em 10 de dezembro de 1920, em Tchetchelnik, na Ucrânia. Em 1922, vem com sua família para o Brasil e passam a morar em Maceió. Em 1938 se muda para o Rio de Janeiro, onde dá aulas de português e matemática. Em 1940, lança seu primeiro conto "Triunfo", e em 1943, lança seu primeiro livro "Perto do coração selvagem", que recebe o prêmio Graça Aranha por melhor romance de 1943. Em 1946, lança seu segundo livro "O lustre" e em 1949, "Cidade Sitiada".
Em 1952, escreve para a página "Entre mulheres", do jornal Comício, sob o pseudônimo de Tereza Quadros e em 1959, como Helen Palmer, assume a coluna "Correio Feminino - Feira de Utilidades", para o jornal carioca "Correio da manhã". Nessa época, Clarice Lispector já havia publicado inúmeros contos e seus livros só pararam com sua morte, em 1977.
Continue lendo sobre essa fantástica escritora no site Clarice Lispector

Fonte: http://www.claricelispector.com.br/Default.aspx

Alguns livros de Clarice Lispector:
A HORA DA ESTRELA

Conta a história de Macabéa. Uma nordestina sem família e sem amigos, que mora no Rio de Janeiro. Leva uma vida de nada, com um emprego medíocre.
Sua vida parece que irá mudar, quando resolve se consultar com uma cartomante. E, realmente, sua vida muda.


Lóri e Ulisses se amam, quase nem se falam e mantêm uma espécie de relacionamento à distância. Passam o livro todo esperando a hora certa de irem pra cama.
O que é perda de tempo para uns, é uma preparação para outros.
É o que acontece com Lóri e Ulisses.
Alguns livros sobre Clarice Lispector:

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O conto da caixa.

Para o meu amado sobrinho Miguel, que ouviu a história primeiro. Ele até presenciou a batalha, mas, talvez, fosse muito pequeno para se lembrar. =]

Lindas e encantadoras, as caixas podem ser mais do que se espera delas.

Era uma vez, uma caixa. Mas não, qualquer caixa. Essa era: A caixa malvada. E andava pelo mundo, fazendo malvadezas com quem pudesse.

Um dia se enfiou em uma casa, em busca de mais malvadezas, e decidiu se esconder no armário.
Sua mentalidade maligna era tanta, que resolveu passar o tempo que fosse preciso, adormecida no armário, esperando o momento certo de agir. Aquele que seria o momento mais importante de sua vida, porque nunca, ninguém, jamais o esqueceria.

E foi com este malévolo pensamento, que lá no armário, ela ficou.
Não importa por quanto tempo ela dormiu, mas eu, que presenciei o fato, que estive lá e sobrevivi para contar a história, posso afirmar que ela ficou lá por muito tempo.
Tempo suficiente para ser esquecida. Afinal, quem se lembraria de uma reles caixa de telefone? Quem poderia imaginar que uma reles caixa de telefone fosse capaz de tão ardiloso plano?
Como seria possível que uma caixa... sim, uma caixa, que se infiltrou entre outras tantas milhares de caixas de telefone, com um propósito específico e completamente diferente do que se espera de uma caixa de telefone... uma caixa de telefone espera alguma coisa? Essa esperava. Só o momento certo de atacar.

Não sei, não me perguntem mais sobre ela, porque dela, eu não sei. Só sei o que vi e o que vi foi horrível. Como pôde... uma caixa.

Então, de manhã, no primeiro dia do verão, minha mãe foi tomar café e resolveu fazer um lanche naquele negócio de fazer lanches com pão de forma, que eu nunca sei o nome, mas chamo de tostequeira.
Arrumou o pão, presunto e na falta de queijo, foi requeijão, mesmo. Ligou o fogo baixo e lá ficou ele.
Foi então que se lembrou de guardar o feijão. Levou-o até o armário do canto, que fica logo na entrada... e foi aí que aconteceu.

A caixa caiu se jogou em cima dela, em um ataque feroz. Minha mãe pegou a caixa e colocou na prateleira dominou-a com facilidade, apesar do ataque surpresa, empurrando-a de volta para a escuridão.
Novamente, ela caiu ela saltou, em um ataque de fúria, para cima de minha mãe.
Me lembro de ter falado: "Mãe, seu lanche 'tá cheirando".
Mas nesse momento, minha mãe já nem se lembrava mais que tinha um lanche no fogo. Travara uma batalha terrível, com aquela que era mais do que uma caixa.
O cheiro de "coisa no fogo" foi mudando lenta e ao mesmo tempo, rapidamente para um cheiro de "coisa queimando".
Minha mãe conseguiu ou pensou que tivesse conseguido colocar a caixa na prateleira de novo vencer a caixa, mas ela caiu de novo atacou minha mãe com uma violência jamais vista (para uma caixa?).
Finalmente, mamãe arrumou um lugar para guardar aquela porcaria venceu e a mandou para o breu de onde nunca deveria ter saído, exceto para o lixo.
Mas, tarde demais. A fumaça subia... o cheiro se alastrava... seu lanche já tinha perecido na tostequeira.
Só restou a minha mãe, xingar a caixa do telefone, que estava na hora errada, no lugar errado e culpar violentamente a caixa, que a fez perder seu lanche, hahaha lamentar como pode haver tanta perversidade no mundo das caixas. Sim, porque aquela caixa fez de propósito. Ela caiu de propósito, para distrair minha mãe e fazê-la esquecer que tinha um lanche no fogo.

É por isso que eu digo, crianças: Não se engane, não se deixe levar pelas aparências (das caixas?). Não deixe que uma caixa estrague o café da manhã de vocês.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Amar não significa a mesma coisa.


Ontem eu lembrei de você e chorei. Chorei porque a saudade bateu e chorei porque lembrei de você.
Chorei primeiro, lembrei depois.
Deu vontade, chorei (eu sou assim, choro quando dá vontade e às vezes, tenho vontade). Quis saber por que me deu vontade de chorar, descobri. Porque lembrei de você.

Porque a minha ficha pode ter caído, mas acho que acabei prendendo a linha. E isso acontece de vez em quando. Já aconteceu antes, agora e sei que vai continuar assim.
Eu não preciso de mais explicações, eu sei o que acontece. Eu sei para onde vamos, eu sei porque vamos e eu sei que nós VAMOS. Todos nós.

Mas o problema não é morrer, o problema é ficar.

Ficar para pensar em quando estava vivo, ficar para pensar no que deu certo, no que não deu certo, na chance perdida, nas palavras que não foram ditas, no abraço que não foi dado, no sorriso que não foi mostrado, no doce que não foi comido, na companhia que não foi compartilhada, no encontro que não foi marcado... no pedaço que ficou faltando.

Por isso eu acho absurdamente importante falar para uma pessoa o quanto você gosta dela. Para sua mãe, para o seu pai, para os seus irmãos, amigos, gatos, cachorros, hamsters, professores, cantores, toda e qualquer pessoa que você goste. Diga para ela que você gosta dela.
Porque se ela morrer primeiro que você, você vai se sentir muito menos triste, de saber que você falou para essa pessoa, o quanto gostava dela.
E que, embora nunca mais a veja, vai agradecer por ter tido a chance de, um dia ter dito, o quanto ela era importante na sua vida.

Eu sei que não ouvirei mais um "E aí, Rê?". Mas eu fico feliz de lembrar do dia em que eu ouvi esse único "E aí, Rê?", por ter te abraçado e por você ter visto que eu gostava de você. E só por isso, já me sinto grata.
Obrigada pelo "E aí, Rê?", pelo abraço, pelo sorriso, pela foto, pela atenção e carinho que você sempre deu a cada um e a todos. Eu sempre lembrarei de você, posso até chorar, mas sempre sorrirei quando lembrar, e sempre agradecerei por você.

E como eu te falei uma vez, sempre vou gostar muito de você!

"Quando olhares o céu de noite, porque numa das estrelas estarei rindo, será como se todas as estrelas te rissem!
Tu terás estrelas que sabem rir!
E quando te houveres consolado - a gente sempre se consola - tu te sentirás contente por ter me conhecido.
Tu serás sempre meu amigo". - O Pequeno Príncipe

E mais uma vez eu agradeço por ter te conhecido e te falado: - Gosto muito de você!

*Esse post é para uma pessoa, sim. Alguém que já partiu para outros ares, mas que continuo sendo fã, sim.
Mas o conselho é de forma geral: Eu te amo, não significa que você queira casar com a pessoa. Amigos também dizem "Eu te amo", famílias, parentes, animais, todos dizem. Não perca a chance de dizer que gosta de quem você gosta. Se ela vai entender ou não, o significado correto, já não é problema seu. Mas diga e fique feliz por isso, por mais simples que pareça, parece que não é tão fácil e nem metade das pessoas conseguem. Mas tenha certeza que para você, valerá a pena.