Ovelhas Incandescentes

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O Brasil é bem brasileiro!

O repórter falou: - "Um mistério foi desvendado..."

Parei. Estava no quarto e parei o que fazia para ouvir a notícia.
No sofá, minha mãe, tia e prima esperavam alguma notícia preocupante.

Mas aí, ele vai e me solta: - "A roupa que a primeira-dama, Michelle, usaria..."

Ah, que isso?! A roupa que a primeira-dama usaria? Isso é o mistério?
E a coisa não parou aí.

- "O chapéu que Aretha Franklin usava tinha um laço tão grande que será lembrado para sempre".

Gente... vou lembrar disso para todo o sempre?
O quê? Do raio do chapéu? Do tamanho do laço? Claro que não!
Vou lembrar para o resto da minha vida que isso ganhou destaque no jornal da noite (também conhecido como "horário nobre").

É com isso que o Brasil se preocupa, com os outros. 

São os 100 anos da imigração japonesa (não que não mereça, mas... tem outras coisas que precisam de destaque), o estado civil da Gisele Bündchen e a cor da roupa da atual primeira-dama dos "States".

Podemos até dizer que o Brasil é bem brasileiro: 


"Cuida mais da vida dos outros do que da própria vida".

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

E o mercado cresce...

- 1 kg de silicone, por favor?
- Com ou sem seringa para injetar?
- Sem, vou beber, assim faz efeito mais rápido.
- Vai pagar com cartão ou dinheiro?
- Permuta, darei meu bom senso e o restante dos meus neurônios.

Exagero? Nada, filho. Isso é uma prévia da situação atual, futura e sabe-se lá até onde vai.
Ah tá, no caixão, vamos todos parar no caixão porque todos vão morrer, um dia.

Mas tem quem prefira ficar bonito(a) para os outros do que para o próprio espelho, ou melhor, até é para o próprio espelho, mas o próprio espelho é uma espécie de “espelho da branca de neve ao contrário”.
Em vez de dar conselhos, ele recebe conselhos, que vem mais como uma ordem do que qualquer outra coisa, porque ele aceita e acata de imediato.

Não dá para ser bonito(a) e ter bom senso também?
Não, não dá. Bom senso não gera receita (opa, boa essa palavra, hein?!).
Inteligência não dá resultados bons, precisamos mesmo é de uma boa dose de burrice, babaquice e futilidade.

Tem quem prefira morrer do que perder a vida.
Eu prefiro morrer do que ser morta pela futilidade opcional, pela burrice opcional.

Não sirvo para ser “famosa”, big brother, big sister ou qualquer outro grande parentesco que o valha.
Entre ver a vida dos outros e a minha, prefiro a minha.
É ela que eu vivo e que me dá dinheiro (sim, precisamos dele, isso é perfeitamente compreensível).

Entre querer ser outra pessoa e querer ser eu, eu me prefiro, já que todo mundo caga, peida, passa mal e a terra vai comer mesmo (sim, são palavrinhas feias, eu não costumo falar, mas também não falo sempre, mas... convenhamos, é verdade).
Além do mais, é mais fácil ser eu mesma.
Bom... fácil não é, mas eu sei ser eu mesma melhor do que sei ser os outros.

Quem está namorando quem? Quem está pegando quem?
Obrigada, de vida pessoal, interesses e fofocas, já bastam as minhas.
Sem informações adicionais, por favor.
Fazer meu próprio serviço de “paparazzi” já dá muito trabalho.

O que as pessoas vão pensar quando lerem este post?
Ah sim, elas dirão:

- "Credo, que coisa mais sem graça, não fala de nada e nem de ninguém, nem sequer fala quem é a pessoa mais bem paga do mundo. Vamos ver TV".

- "Livros? Para quê? Vamos ver o filme, é mais fácil".

Tudo bem, corram, queridos.

Queimem o resto de neurônios que lhes restam.

Todos temos o livre arbítrio para nos matar como quisermos.

A raça humana já acabou.

Vamos ver TV, ponha no Big Brother, por favor.

Ainda existem homens e mulheres, mas os animais racionais, hoje, estão em extinção.

Dizem que uma praga chamada “IFC” atingiu a raça humana.

Começa com um simples surto de “babaquice”, chegando ao estágio avançado do “IFC” (imbecialização-fútil-crônica).

Quem conseguiu sobreviver (sim, há casos de pessoas atingidas que foram curadas), vivem em colônias escondidas, às vezes isoladas, temendo uma nova contaminação.

Todo cuidado é pouco.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Recordar é viver... e doer!

Esses dias o Bob Pai pediu para eu pegar umas músicas para ele. 
Entre elas, Epic, do Faith No More.

Lembrei de quando a Rubia foi no show do Faith No More, lembrei de várias coisas e lembrei do Catatau.
O Catatau era, como diria o meu pai, um molecão, de uns 17 anos (acho que ele tinha essa idade quando a gente conheceu ele), meio rockeiro grunge, estilo Eddie Vedder, encantava a mulherada.
Começou a namorar com a Rubia, depois acabou, depois voltou e depois acabou, mas virou da família. Até a Vovó gostava dele :)

Ainda é meio estranho falar que ele já morreu. Talvez ele estivesse na hora errada, com a pessoa errada e fazendo a coisa errada. 
Nem entro no detalhe de como foi porque não vai mudar e eu também não sei de nada, só comentários.

Só sei que a T. Vita falou de um recado que a prima dele, Guida, tinha deixado na secretária... não... foi a Vera que deixou um recado na secretária e depois a T. Vita falou com a Guida, sobre o funeral ter sido rápido porque a mãe dele não estava passando bem, então nem deu tempo da gente ir para lá.

Não sei se eu queria ter ido, eu entendo a morte muito bem, mas não é nada agradável ficar com aquela imagem da pessoa que você gosta no caixão.
Mas o Catatau era uma dessas pessoas, que eu tinha que ver no caixão para acreditar que ele morreu.
Era tipo o irmão mais velho que eu queria ter. E eu não sei o porquê, mas eu sempre quis ter um irmão mais velho (sem ofensas, Raquel, você dá conta do recado, e muito).

O Catatau gostava de Faith No More, era uma das bandas que ele gostava e uma das coisas que não tem como não lembrar dele. 
Até meu pai lembra dele por causa da música. Porque ele gostava e também porque... era uma coisa meio característica. 
O cabelo comprido (uma coisa que a maioria das meninas gostava nos anos 80/ 90, acho que eu gostei um pouco, mas dependia da pessoa, tinha caras que não combinavam com o cabelo comprido), o estilo meio grunge, camisa xadrez (coisa que eu adoro até hoje).

Faith No More não me apeteceu, mas foi uma das coisas que o Catatau deixou e uma das coisas que faz a gente lembrar dele, em qualquer hora, lugar, tempo e espaço que seja.

Ele deixou de lembrança o Faith No More, no melhor estilo Mike Patton, Guns 'N Roses (também nunca gostei, nunca paguei pau para o Axl e sempre achei o Slash muito, muito, mas muito mais bonito do que o Axl, aliás, acho até hoje, o Slash é lindo!), Pearl Jam (ah, Pearl Jam é Pearl Jam :), o Charge que ele me deu porque precisava de uma ficha telefônica e eu tinha uma ficha (não existiam cartões telefônicos e celular era coisa de gente rica), camisa xadrez (só tenho a verde e preta agora, mas dessa não me desfaço nunca), gatos (ele tinha uma gata chamada Lili e descobriu que ela tinha tido um filhote, que ele deu para a Rubia, foi o primeiro gato que tivemos em casa). 

E todas as vezes que ouvimos o começo de Epic, é inevitável não balançar o corpo e rodar as mãos, como Mike Patton fazia no clipe, deixando o cabelo balançar.

E todas as vezes que ouvimos aquele piano no final de Epic, aquele último "Yeah, yeah, yeah" junto com o piano, chega a ser fúnebre. 
Dá até vontade de chorar.

Lembrança é uma coisa engraçada. 
- Ah, lembrei! 
- Que merda. 
Elas vêm sem você querer que elas venham. Trazem toda a emoção da coisa de volta, e emoções são coisas difíceis. 
Para mim é. Eu sinto toda a alegria de novo, mas também sinto toda a raiva de novo, toda a mágoa de novo, toda a dor de novo, toda a irritação de novo e tudo de novo.
Mas isso é coisa para outro texto, talvez, uma terapia.
Aproveitem a vida!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

É da natureza do ser humano...

... evitar as pessoas.

Sabe quando você está no ônibus ou no metrô, ou até mesmo na fila de algum lugar?
Está ouvindo aquela música legal ou lendo aquela parte do livro que não dá para parar?

De repente você vê um conhecido chegando... e faz o quê? Fecha o livro e fala: "Oi, tudo bem?"
Melhor, para a música e fala: "Hei, psiu, Fulano, tudo bem?"

Mentira!

Você vira para o outro lado, enfia a cara no livro, arruma um botão para apertar no mp3 player, no walkman, no minigame, no seja lá o que for, mas você finge que não vê!

Você só chama a pessoa ou dá a entender que viu se não estiver fazendo nada de interessante na hora, se tiver que falar com a pessoa ou se estiver de bom humor, que EU SEI!
Ou melhor ainda, se não deu tempo de disfarçar e fingir que não viu.
Eu sei, eu também faço isso, mas como eu falei:

"É da natureza do ser humano evitar as pessoas".

Pelo menos naquelas horas em que você não está para conversa. E acredite, são muitas.
Tem horas que tudo o que a gente quer é ficar só com a gente.
Só com a gente. Sozinhos com a gente mesmo.
Só!
Com a gente mesmo!
Só isso!